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Conselho de Segurança da ONU

Oposição síria diz que veto sino-russo é "licença para matar"

por Redação Carta Capital — publicado 05/02/2012 12h55, última modificação 05/02/2012 12h55
Por outro lado, Rússia acusa países ocidentais de não fazerem concessões no texto contra a repressão do regime de Bashar al-Assad
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Opositores de Bashar al-Assad definem veto de China e Rússia a resolução contra regime como licença para matar. Foto: AFP

O Conselho Nacional Sírio (CNS), opositor ao regime do presidente Bashar al-Assad, afirmou neste domingo 5 que o veto de Rússia e China a resolução da ONU para condenar a repressão na Síria é uma "autorização para matar com impunidade".

"O CNS condena energicamente o veto imposto por Moscou e Pequim ao projeto de resolução do Conselho de Segurança e considera a decisão irresponsável", afirma em comunicado.

O jornal oficial sírio Teshrin, no entanto, celebrou o veto ao afirmar que a decisão é um estímulo para reformas no país, incluindo a organização de um referendo sobre a nova Constituição e eleições legislativas pluralistas. "A decisão também pode estimular alguns países a revisar suas posições sobre a crise na Síria e demonstrar, mais uma vez, que apenas a Síria pode resolver politicamente esta crise", diz o veículo.

Após a reunião do Conselho de Segurança da ONU ontem, a Rússia anunciou que enviará o ministro de Relações Exteriores, Serguei Lavrov, na terça-feira 7 a Damasco para abordar com Assad a aplicação rápida de "reformas democráticas indispensáveis".

"A Rússia tem a intenção de fazer todo o possível para obter uma estabilização rápida da situação na Síria", afirma a chancelaria russa em nota. E completa: "Continuamos acreditando que todas as partes deveriam concentrar esforços para iniciar um diálogo nacional entre os sírios e contribuir para acabar com a violência, o mais rápido possível."

A diplomacia russa afirmou neste domingo que os países ocidentais são responsáveis pelo fracasso da votação na ONU. "Em Moscou lamentamos que os autores do projeto de resolução sobre a Síria não tenham desejado fazer os esforços adicionais necessários para alcançar um consenso", declarou o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Guennadi Gatilov.

Mas a reação da comunidade internacional foi dura. Treze dos 15 países do Conselho votaram a favor do projeto proposto pelos países árabes e europeus, que apoiam um plano da Liga Árabe para assegurar uma transição para a democracia na Síria e que denuncia as "contínuas violações" dos direitos humanos cometidas pelo regime de Assad.

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, acusou a Rússia e a China de terem "abandonado" o povo sírio e encorajar a brutal repressão do regime e o embaixador francês na ONU, Gérard Araud, falou em um "dia triste para o Conselho, para os sírios e para os amigos da democracia".

Neste domingo, o primeiro-ministro tunisiano, Hamadi Jebali, defendeu que todos os países expulsem os embaixadores da Síria como medida de protesto pela violenta repressão do governo de Assad.

Violência

A oposição síria denunciou que durante a madrugada de sábado 4, bombardeios do regime de Assad mataram mais de 230 civis na cidade de Homs, centro do país. Além disso, no mesmo dia a violência deixou outros 48 mortos, incluindo 24 civis e 18 soldados do Exército oficial, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG sediada na Grã-Bretanha.

A organização informou que seis desertores também morreram nos confrontos, além de nove militares mortos em confrontos com desertores no noroeste do país neste domingo.

No exterior, embaixadas da Síria foram vítimas de ataques em protestos contra o regime. Na Austrália, a representação diplomática síria foi saqueada parcialmente por manifestantes, informou a polícia de Canberra.

No sábado, as embaixadas do país em Atenas, Berlim, Cairo, Kuwait e Londres também foram atacadas. Além disso, neste domingo, manifestantes sírios e libaneses protestaram diante da representação diplomática russa em Beirute contra o veto na ONU. No local, também havia uma movimentação em apoio ao regime sírio.

Com informações AFP.

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