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Onda de protestos pós eleição deixa sete mortos na Venezuela

por AFP — publicado 17/04/2013 10h34, última modificação 17/04/2013 11h27
O governo e a oposição trocam acusações pela violência gerada após o resultado apertado das eleições do dia 14 e a exigência de uma recontagem dos votos
Venezuela

Opositora de Maduro protesta nas ruas de Caracas nesta terça-feira 16. Foto: ©afp.com / Raúl Arboleda

CARACAS (AFP) - O governo e a oposição se acusaram mutuamente pela violência que já deixou pelo menos sete mortos na Venezuela. As mortes são decorrentes de uma grave crise política desencadeada por uma onda de mobilizações convocadas pelo opositor Henrique Capriles contra a proclamação do chavista Nicolás Maduro como presidente eleito. Maduro, herdeiro político do falecido Hugo Chávez, venceu Capriles nas últimas eleições presidenciais do dia 14 por apenas 1,8 ponto percentual.

O presidente eleito afirmou na terça-feira 16 que as mortes foram provocadas por grupos fascistas e acusou Henrique Capriles de orquestrar um golpe de Estado ao convocar protestos contra o resultado das eleições. "O governo é quem está por trás de todos esses episódios de violência", respondeu Capriles. O opositor reclama que o governo impede a oposição de realizar uma recontagem de votos.

Apesar disso, Capriles, de 40 anos, disse estar "disposto a abrir um diálogo para que a crise seja resolvida nas próximas horas" e suspendeu a convocação que tinha feito por uma manifestação nesta quarta 17 em Caracas diante da sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE). "Amanhã não vamos nos mobilizar e eu peço a todos os meus seguidores que se recolham; quem sair está do lado da violência, quem sair está fazendo o jogo do governo, o governo quer que haja mortos aqui no país", disse Capriles.

Maduro, 50 anos, havia advertido na terça que não permitiria mais marchas opositoras na capital. "Vocês não vão ao centro de Caracas enchê-lo de morte e de sangue", sentenciou.

Os protestos começaram na segunda-feira 15 depois de o CNE ter proclamado Maduro como presidente eleito, com 50,75% dos votos contra 48,97% de Capriles. Contudo, apesar de ter suspendido a convocação de passeatas em Caracas, Capriles considerou "ilegítima" a proclamação de Maduro e pediu panelaços, principalmente na sexta-feira 19, data da posse de Maduro.

Na noite desta terça-feira, milhares de pessoas voltaram a bater panelas das janelas e varandas de suas casas, enquanto os chavistas soltavam fogos em uma contramanifestação. Maduro havia convocado um "foguetaço" para responder ao "panelaço" da oposição.

Em cadeia de rádio e televisão, Maduro acusou a oposição de orquestrar um "golpe de Estado" com as convocações de protestos e afirmou que um pequeno grupo de militares está sob investigação por ter mantido contato com opositores.

"Façam o que quiserem fazer, não vou permitir. Vou usar mão dura frente ao fascismo e à intolerância. Se quiserem me derrubar, venham atrás de mim, com um povo e uma força armada aqui estou", ressaltou Maduro, referindo-se ao breve golpe de Estado da oposição, que em 2002 derrubou Chávez por pouco tempo.

Com uma postura desafiadora, o presidente eleito afirmou: "Se continuarmos com a violência, o que podemos é radicalizar esta revolução" socialista, afirmou o governista. "Esta era uma crônica de um golpe de Estado. Hoje declaro que derrotamos o golpe de Estado", afirmou Maduro, ao convocar seus seguidores a se manifestarem em apoio a sua vitória.

Praticamente todos os países latino-americanos felicitaram Maduro como novo presidente, enquanto os Estados Unidos indicaram que ainda não estão preparados para reconhecê-lo. Espanha e a Organização dos Estados Americanos (OEA) pediram diálogo.


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