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OEA não chega a consenso sobre punição ao Paraguai

por Redação Carta Capital — publicado 23/08/2012 11h17, última modificação 06/06/2015 18h28
Para o governo Franco, decisão significa que o país não será punido, apesar das pressões do Mercosul e da Unasul
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Embaixadores dos países da OEA debatem a questão paraguaia em reunião na quarta-feira 22. Foto: Juan Manuel Herrera / OEA

O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) concluiu na noite de quarta-feira 22, sem consenso, a avaliação sobre a situação política do Paraguai depois da destituição do então presidente Fernando Lugo em 22 de junho. Os países do Mercosul, que defendiam sanções contra o Paraguai por conta do que consideraram um golpe de Estado, estavam em posição minoritária e não conseguiram convencer as outras nações. Para o Paraguai, a falta de consenso foi encarada como uma vitória, considerada uma indicação de que não haverá consenso sobre o tema num futuro próximo.

De acordo com o Ministério do Exterior do Paraguai, 26 países foram contra as sanções, enquanto apenas oito eram a favor delas. O Paraguai agradeceu a esses 26 países, enquanto criticou os colegas do Mercosul e da Unasul. "A sessão realizada pelo Conselho Permanente evidenciou que não serão aplicadas sanções contra o Paraguai, como haviam planejado alguns governos, cada vez mais minoritários", afirmou a chancelaria paraguaia em um comunicado. "A grande maioria dos Estados prefere consolidar a democracia em nossos países com base no consenso e no diálogo, acima das ameaças, dos castigos e do isolamento", enfatizou o documento.

Em declarações à imprensa, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, celebrou o apoio e disse prever tranquilidade para o governo do presidente Federico Franco. "São 26 (países) contra oito, o que chamamos, no futebol, de goleada. A decisão da OEA é um apoio total ao povo paraguaio”, disse. “Enquanto o Paraguai se comportar tão bem como agora, a OEA não voltará a discutir especificamente o caso.” Nesta quinta-feira, Estigarribia viaja para Washington, nos Estados Unidos, para uma reunião de ministros das Relações Exteriores. O chanceler aproveitará a oportunidade para reiterar que o impeachment de Lugo ocorreu, de acordo com a legislação paraguaia, sem o rompimento da ordem democrática no país.

Missão de observação

A OEA decidiu na quarta-feira enviar 500 observadores para o Paraguai. A partir de dezembro, esses observadores terão a missão de verificar se as eleições presidenciais marcadas para 21 de abril de 2013 serão organizadas, e realizadas, sem irregularidades.

O tema foi proposto pela delegação do México e rejeitado pelos representantes da Nicarágua, do Equador e da Argentina, governos que desde a destituição de Lugo vinham pressionando o Paraguai. O Brasil, que tem evitado se posicionar em separado a respeito do Paraguai, deixou transparecer que não pretende normalizar totalmente as relações com o país vizinho até que as eleições sejam realizadas.

Em entrevista recente a CartaCapital, o ex-presidente Fernando Lugo disse não crer que as eleições serão uma solução para o país. “A próxima eleição será de uma esquerda renovada e uma direita não reciclada. Como se diz no Paraguai: às vezes, quem perde, ganha e quem ganha, perde”, afirmou Lugo. Ele não será candidato.

Com informações da AFP Movel e da Agência Brasil