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OCDE diz que Brasil terá o menor crescimento entre os Brics

por Deutsche Welle publicado 28/11/2012 10h03, última modificação 28/11/2012 10h36
Relatório prevê um crescimento de 1,5% neste ano e 4% em 2013 para o País e projeta uma lenta recuperação da economia mundial nos próximos dois anos
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Por Sabine Kinkartz / Carlos Albuquerque

No relatório sobre as perspectivas econômicas mundiais, divulgado na terça-feira 27, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que, entre os países do Brics, o Brasil terá o menor crescimento econômico em 2012.

Segundo a OCDE, a economia brasileira só deverá crescer 1,5% neste ano, enquanto a previsão de crescimento da China é de 7,5%, seguida por Índia (4,4%), Rússia (3,4%) e África do Sul (2,6%).

O Brasil deverá crescer 4% no ano que vem e 4,1% em 2014, calcula a OCDE. Nos próximos dois anos, China e Índia deverão registrar crescimento superior a 6,5%, enquanto as economias da Rússia e da África do Sul deverão registrar uma expansão entre 3% e 4%.

No capítulo sobre o Brasil, o relatório aponta que o forte estímulo fiscal e monetário está revertendo a tendência decrescente da economia e que a inflação baixou e está equilibrada, ainda que um pouco acima da meta estipulada.

A Organização também sugere que o crescimento do país poderia ser apoiado por medidas para a redução e simplificação da carga fiscal, para contenção dos custos trabalhistas e para melhoria da infraestrutura. Já as recentes medidas de proteção comercial podem desacelerar a produtividade do Brasil, na opinião do órgão.

Crescimento no mundo
De forma global, as previsões da OCDE são de que a economia mundial deverá vivenciar uma recuperação hesitante e desigual nos próximos dois anos. "A economia mundial está longe de estar fora de perigo", disse o secretário-geral da organização, Angel Gurría, ao apresentar o relatório nesta terça-feira em Paris.

Gurría explicou que, caso se materializasse, o "abismo fiscal" nos Estados Unidos poderia levar sua enfraquecida economia à recessão, e que se a crise na zona do euro não for resolvida, isso poderia levar a um choque financeiro global e à retração da economia mundial.

Europa
"Desaceleração inesperada", "muito lento", "difícil" – não poderiam ser mais negativos os termos usados por Eckhard Wurzel, economista sênior na OCDE, para descrever as perspectivas econômicas para os próximos dois anos. Depois de cinco anos de crise e contínuos altos e baixos na curva conjuntural, a recuperação da economia mundial segue a passos lentos.

Para Wurzel, no entanto, não se trata de um fenômeno novo, mas ligado ao enfraquecimento anterior. "Quando se tem uma desaceleração ligada a uma crise financeira, então se tem tradicionalmente uma recuperação mais lenta." Além disso, há impulsos de crescimento bem menores vindos de fora dos países da OCDE, ao contrário do previsto há um ou dois anos e, claro, antes disso.

China e Índia, mas também outros países, como o Brasil, crescem mais devagar, e a crise da dívida na Europa faz o restante para desacelerar a economia mundial. Até agora essa situação não mudou, apesar das medidas adotadas pelos países do euro, disse. Wurzel vai ainda mais longe e afirma que a crise do euro é atualmente a maior ameaça à conjuntura econômica mundial.

Segundo o economista, a zona do euro continuará, até o fim do próximo ano, em recessão ou perto dela. Para 2013, a OCDE prevê uma redução da economia dos países da união monetária em 0,1%, após um encolhimento de 0,4% neste ano. Somente em 2014 a zona do euro vivenciará um crescimento, de 1,3%.

Na Alemanha, país onde a indústria em comparação com outros países da zona do euro se mostrou surpreendentemente robusta, a crise também deixou vestígios claros. Para este ano, a OCDE espera um crescimento de 0,8% para o país. Em 2013, ele deverá ser somente de 0,6%, e só em 2014 a economia alemã deverá registrar um aumento significativo, de 1,9%.

No próximo ano, a desaceleração prognosticada da economia poderá atingir principalmente os exportadores. As encomendas de máquinas e instalações industriais certamente vão encolher, prevê Andrés Fuentes, responsável pelos prognósticos sobre a Alemanha na OCDE.

A solução é política
Na luta contra a crise, a OCDE vê responsabilidade principalmente dos políticos. Segundo o secretário-geral Gurría, "os governos devem agir decisivamente, usando todas as ferramentas à disposição para retomar a confiança e impulsionar crescimento e emprego nos Estados Unidos, na Europa e em outras partes." De outra maneira, a crise vai aumentar, prejudicando ainda mais a economia mundial, disse a OCDE.

A organização sediada em Paris exigiu do Banco Central Europeu que baixe ainda mais as taxas de juros e que dê prosseguimento, por muito tempo, à sua política de apoio conjuntural. Para fortalecer o sistema financeiro, é necessário melhorar o balanço dos bancos.

Além disso, a OCDE demanda um sistema bancário europeu verdadeiramente comum. E onde for necessário, disse a OCDE, uma recapitalização direta dos bancos deverá ser efetuada pelo fundo de resgate permanente MEE (Mecanismo Europeu de Estabilidade).

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