
Observadores sírios de direitos humanos afirmaram que mais de 7.600 pessoas morreram nos últimos 11 meses. Foto: ©AFP/LCC Syria/Arquivo
NOVA YORK (AFP) – O número de vítimas da repressão na Síria é “muito maior que 7.500 mortos”, declarou nesta terça-feira 28 um alto funcionário da ONU.
Lynn Pascoe, secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Políticos, admitiu, contudo, no Conselho de Segurança, que as Nações Unidas não podiam “dar cifras precisas” do número de mortos durante as manifestações opositoras na Síria.
“Agora há informes confiáveis de que o número de mortos excede os 100 civis por dia, incluindo muitas mulheres e crianças. O total estaria efetivamente acima dos 7.500″, disse o funcionário.
Pascoe afirmou que o fracasso da comunidade internacional para “deter o massacre” incentivava o governo sírio a acreditar que podia agir com impunidade.
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Observadores sírios de direitos humanos afirmaram que mais de 7.600 pessoas morreram nos últimos 11 meses, mas este é o maior valor dado até agora pelas Nações Unidas.
Pascoe disse que a resposta com tanques e bombardeios aos protestos era “uma reminiscência do massacre de Hama realizado pelo governo sírio em 1982″, ordenado pelo pai do presidente, Hafez, e no qual morreram, ao que parece, milhares de pessoas.
Rússia e China vetaram duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU que pretendiam condenar a violência da Síria, mas diplomatas afirmaram que as negociações podem levar em breve a uma nova resolução exigindo o acesso humanitário à Síria.
Cerca de 25 mil refugiados, segundo registros da ONU, encontram-se em países limítrofes da Síria e entre 100 e 200 mil estão desabrigados dentro do país, acrescentou Pascoe.
Embaixada brasileira busca cooperação
O embaixador do Brasil na Síria, Edgard Antonio Casciano, deverá permanecer em Damasco como sinal de que o governo brasileiro está disposto a cooperar com o diálogo em busca do fim do impasse no país. A exemplo da Turquia, que comanda as negociações de paz na região, o Brasil vai manter a representação diplomática na Síria para dar suporte aos cerca de 3 mil brasileiros que vivem no país.
Porém, o Itamaraty está atento à espera requerimento de indicação, que é um instrumento de que dispõe o Legislativo para sugerir a outro Poder a adoção de providências, encaminhado pelo vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Arnaldo Jordy (PPS-PA).
No dia 24, Jordy defendeu a retirada do embaixador brasileiro de Damasco como reação política ao agravamento da violência e do desrespeito aos princípios democráticos e aos direitos humanos no país. Para o deputado, acontecimentos recentes na região tornam “inadmissível” a presença do diplomata brasileiro na capital síria. Seria uma forma de pressionar o presidente sírio, Bashar Al Assad, a negociar com a oposição e os manifestantes, disse Jordy.
Ao longo dos últimos dias, os governos dos Estados Unidos, da França, da Itália, do Reino Unido e do Egito convocaram seus embaixadores na Síria e determinaram que deixassem Damasco. O governo brasileiro acompanha de perto as negociações para encerrar o impasse na Síria.
*Com informações da AFP e da Agência Brasil
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