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Nos EUA, está aberta a batalha pela reforma de imigração

por José Antonio Lima publicado 29/01/2013 18h04, última modificação 29/01/2013 18h04
Obama e grupo de senadores divulgam propostas que incluem rota para cidadania de 11 milhões de imigrantes ilegais

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez nesta terça-feira 29 um discurso que serve como pontapé inicial para um dos mais aguardados debates políticos dos próximos meses no país: a reforma do sistema de imigração. Obama falou na escola Del Sol, em Las Vegas (Nevada), um dos maiores polos atrativos para imigrantes da América Latina e do sul da Ásia, um dia depois de um grupo de oito senadores (quatro democratas e quatro republicanos) divulgar uma proposta conjunta para a reforma. Obama fez elogios às ideias dos parlamentares, num sinal de que há lugares comuns para o debate ter início, mas certamente a aprovação deixará os ânimos acirrados no país.

Obama afirmou nesta terça que o plano precisa conter três princípios básicos. O primeiro é a criação de um sistema mais eficiente para os empregadores descobrirem se o candidato a uma vaga é ou não um imigrante ilegal. Uma vez que o sistema esteja funcionando, diz Obama, é preciso aumentar as punições para quem contratar ilegais. A segunda questão necessidade na visão da Casa Branca é criar uma "rota para a cidadania". Os ilegais poderiam pedir o Green Card (licença para morar e trabalhar no país) após pagarem uma multa, impostos atrasados e aprender inglês. Eles entrariam na fila da legalidade após todas as outras pessoas que seguem o caminho legal. "Não será um processo rápido, mas será justo", disse Obama. Em terceiro lugar, Obama afirmou que é preciso reduzir a burocracia para quem está legalizado, facilitando a entrada de familiares, de quem deseja investir nos EUA e a permanência de estudantes após a faculdade.

Em seu discurso, Obama minimizou uma proposta que foi classificada pelos senadores como condição para o projeto de reforma avançar. Os senadores querem mais recursos financeiros para a fronteira com o México, incluindo o envio de mais forças de segurança e até mesmo aviões não-tripulados. Nesta terça, Obama afirmou que é preciso manter o foco na fronteira, mas avaliou que os resultados já são satisfatórios. Segundo o presidente dos EUA, a entrada de imigrantes ilegais está 80% menor hoje do que no pico do ano 2000.

Problema ainda maior será resolver o "caminho para a cidadania". Uma pesquisa publicada pelo jornal The Washington Post e pela rede de tevê ABC News em novembro mostrou que apenas 37% dos eleitores republicanos aceitam esta possibilidade. A maioria dos republicanos, eleitores e políticos, enxerga os 11 milhões de imigrantes ilegais presentes hoje nos Estados Unidos como uma ameaça. Entre os eleitores independentes, 59% apoiam a "rota", enquanto entre os democratas são 71%.

Resolver essas questões não será fácil. Nas últimas eleições, o voto latino foi extremamente importante para Obama. O presidente foi votado por 71% da população hispânica, boa parte dela localizada em Estados fundamentais na disputa, como a Flórida e Ohio. Alguns líderes do Partido Republicano entenderam o recado das urnas e decidiram se engajar na reforma imigratória, apesar de sua base eleitoral ser, em grande parte, contrária a ela.

Este é o caso do senador Marco Rubio, filho de cubanos e possível candidato republicano à sucessão de Obama em 2016. Integrante do grupo de oito senadores que lançou a proposta de reforma na segunda-feira, Rubio entende que é preciso criar a "rota da cidadania". Só assim seu partido poderá atrair o voto latino no futuro. Ao mesmo tempo, é preciso não alienar a base tradicional republicana, hostil ao que classificam de "anistia" aos ilegais. Desta forma, Rubio e outros republicanos tentarão conseguir medidas agradáveis a esses eleitores mais conservadores, como aumentar a segurança na fronteira.

Soma-se a isso a disputa entre republicanos e democratas para fazer parecer ao eleitor quem é o pai da reforma imigratória. Não há dúvida que Obama brigará por isso. Aprovar a reforma, causa cara ao partido democrata, tornaria seu legado na Casa Branca muito mais vistoso. Os democratas, de olho na sucessão, também jogam suas fichas no tema. Para os republicanos, a questão é ainda mais sensível. Votar a favor de uma reforma comandada pelos democratas poderia ser um desastre completo, pois deixaria de atrair o eleitor hispânico e ainda poderia alienar diversos republicanos.

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