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Internacional

Na Colômbia, uma chance para a paz com as Farc

por Redação Carta Capital — publicado 28/08/2012 11h25, última modificação 06/06/2015 18h18
Pela quarta vez, governo colombiano vai dialogar com os guerrilheiros para tentar encontrar uma solução para o conflito de quase 50 anos
COLOMBIA-FARC-PEACE-TALKS-SANTOS

Juan Manuel Santos faz discurso em que anuncia o início dos diálogos com as Farc. Foto: Presidencia-Cesar Carrion / AFP

O governo da Colômbia confirmou na noite de segunda-feira 27 que vai iniciar negociações de paz com as Forças Revolucionárias Armadas da Colômbia (Farc), numa tentativa de encerrar o conflito de quase 50 anos entre as duas partes. O acordo para o início do diálogo oficial foi fechado em Havana e mediado por Cuba, Venezuela e Noruega, país cuja capital, Oslo, deve sediar as negociações de paz no próximo mês de outubro.

Em breve declaração, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que seu governo e a liderança das Farc tiveram "conversações exploratórias" sobre a possibilidade de paz. Segundo ele, o diálogo se dará com base em três princípios: aprender com os erros do passado para não repeti-los; que o processo busque o fim do conflito e não sua prolongação; e que o Exército colombiano consiga estabelecer sua presença em todo o território nacional. "Nos próximos dias serão conhecidos os resultados da aproximação com as Farc", disse Santos. "Os colombianos podem confiar plenamente que esta governo está trabalhando com prudência, seriedade e firmeza, priorizando sempre o bem-estar e a tranquilidade do nosso país".

De acordo com reportagem publicada pelo jornal El Espectador no sábado 25, os dois lados passaram a se encontrar em Havana depois que as Farc enviaram emissários até Bogotá para propor o diálogo. Em Havana, o principal negociador dos guerrilheiros foi Jaime Alberto Parra, conhecido como Mauricio Jaramillo ou El Médico. Pelo lado do governo colombiano, negociaram o assessor de segurança nacional de Santos, Sergio Jaramillo, e o ministro do Meio Ambiente, Frank Pearl, conhecido militante pela paz.

Para negociar a paz, Santos terá que arregimentar apoio em diversos setores da sociedade colombiana. Não será uma tarefa fácil, pois diversos presidentes viram frustradas suas tentativas de diálogo nas últimas décadas. Segundo o site da rádio Caracol, desde maio o governo dialoga com os militares para que estes aceitem as negociações. Para os comandantes das Forças Armadas, as principais dúvidas dizem respeito ao futuro dos chefes da guerrilha, que não podem ser anistiados segundo o entendimento dos militares.

Na política, a iniciativa também terá resistência. A principal delas deve ser feita pelos partidários do antecessor de Santos, Álvaro Uribe, um político linha-dura que defendia a confrontação direta com as Farc. Nesta terça-feira 28, numa tentativa de reforçar seu peso político, Santos anunciou um reforço de peso para seu governo. É o ex-prefeito de Bogotá e ex-presidente do Partido Verde colombiano Luis Eduardo Garzón, que terá como função "o diálogo social" do governo e deve ter papel decisivo nas negociações de paz.

As Farc foram estabelecidas em 1964, em meio a confrontos armados travados entre o Estado colombiano e camponeses marxistas. Ao longo do tempo, as Farc conseguiram estabelecer seu domínio sobre grandes partes do territórios colombiano e se notabilizaram por violentos atentados à bomba e pelo sequestro de colombianos e estrangeiros, alguns dos quais passaram anos nas mãos dos guerrilheiros. Além dos Forças Armadas regulares da Colômbia, as Farc foram combatidas também por grupos paramilitares de ultradireita, também conhecidos pela violência de seus métodos. Esta é a quarta vez que as Farc entram em um diálogo com o governo colombiano. As outras ocorreram em 1984, 1991 e 1999.