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Murdoch admite ocultação de escutas, mas diz que não sabia

por AFP — publicado 26/04/2012 12h29, última modificação 26/04/2012 12h29
Presidente do grupo de mídia News Corp. diz que fechou o jornal News of the World porque ficou em pânico
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Rupert Murdoch, o magnata mais poderoso da mídia do Reino Unido, 81 anos, é interrogado horas a fio pela comissão parlamentar do Inquérito Leveson. Foto: Pool/AFP

O magnata das comunicações Rupert Murdoch admitiu nesta quinta-feira 26 que houve "ocultação" das escutas telefônicas ilegais no semanário britânico News of the World, que pertencia a ele e foi fechado no ano passado em meio a um escândalo de grampos. Murdoch insistiu que ele e outros executivos do grupo não foram informados.

Em seu segundo depoimento em dois dias diante da comissão que investiga as práticas da imprensa em Londres, o presidente da News Corp. também disse que falhou por não ter ordenado uma investigação interna. "Não tenho dúvida alguma de que alguém, possivelmente o redator-chefe, mas certamente não apenas ele, tomou a iniciativa de uma ocultação da qual nós também fomos vítimas, e lamento isso", declarou Murdoch, de 81 anos, diante da comissão presidida pelo juiz Brian Leveson. "Acredito que todos os diretores foram (...) mal informados e protegidos de tudo o que estava acontecendo lá. E responsabilizo por isto uma ou duas pessoas cujo nome não darei porque poderiam ser detidas", acrescentou.

O redator-chefe da seção de realeza do News of the World e um detetive particular foram condenados a penas de prisão em 2007 por este caso, mas a extensão das escutas começou a ser divulgada realmente quando a polícia abriu uma nova investigação em janeiro de 2011.

Perguntado insistentemente pelo juiz Leveson sobre por que não tomou mais medidas após as acusações contra um de seus jornais de maior tiragem, Murdoch respondeu: "Também tenho que dizer que falhei". "Será uma mancha em minha reputação para o resto de minha vida", disse.

O escândalo provocou grande indignação no Reino Unido em julho passado, quando foi revelado que o News of the World havia "grampeado" o correio de voz do telefone celular de Milly Dowler, uma adolescente desaparecida que depois apareceu assassinada. Murdoch fechou então o jornal, e o primeiro-ministro David Cameron criou a comissão Leveson para investigar a cultura e a ética dos meios de comunicação, além de seus vínculos com a política e a polícia.

Interrogado sobre a razão de ter ordenado o fechamento tão rapidamente, Murdoch respondeu: "Fiquei em pânico. Mas me alegro de tê-lo feito". Disse que deveria ter fechado a publicação "anos antes" e substituído por uma versão dominical de seu outro tablóide sensacionalista, o The Sun, como fez recentemente.

Quando foi perguntado onde se originou a "ocultação", o magnata nascido na Austrália disse que foi "dentro do News of the World". "Havia uma ou duas personalidades fortes que acredito que estiveram lá por muitos anos e que eram amigos dos jornalistas", disse. "A pessoa em que penso era amiga dos jornalistas, um companheiro de bebidas e um advogado inteligente (...) Esta pessoa proibiu que as pessoas informassem (Rebekah) Brooks ou James (Murdoch, seu filho)", disse.

A ex-diretora do News of the World Rebekah Brooks renunciou ao cargo de diretora da subsidiária britânica da News Corp., a News International, em julho, e James Murdoch renunciou à presidência em fevereiro. Murdoch disse que desde então investiu "centenas de milhares de dólares" em uma operação de limpeza da News Corp. Insistiu que o grupo examinou os periódicos que o grupo possui nos Estados Unidos e na Austrália, mas que não encontrou provas de má conduta.

O magnata também negou ter discutido a oferta da News Corp. para tomar o controle da totalidade da plataforma televisiva BSkyB, da qual possui 39%, com o ministro britânico da Cultura, Jeremy Hunt. O conselheiro especial de Hunt, Adam Smith, renunciou na quarta-feira depois de ter sido acusado de vazar informações sobre a opinião do governo sobre esta polêmica operação criticada por outros meios de comunicação.

Murdoch renunciou à compra da BSkyB após o escândalo no News of the World, que grampeou os telefones de cerca de 800 pessoas para obter exclusivas.

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