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Maduro e Capriles abrem disputa para eleições na Venezuela

por AFP — publicado 11/03/2013 08h32, última modificação 11/03/2013 08h32
O líder da oposição acusa o presidente interino de mentir sobre a morte de Chávez e de "fascismo"

Por Maria Isabel Sánchez

O sucessor de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, e o candidato da oposição, Henrique Capriles, iniciaram de maneira dura no domingo 10 a disputa para as eleições venezuelanas de 14 de abril, que poderia coincidir com um referendo para decidir se o corpo embalsamado do falecido presidente será levado ao Panteão Nacional.

Capriles, um advogado de 40 anos que perdeu a eleição de outubro do ano passado para Chávez por 11 pontos, anunciou que enfrentará Maduro em uma entrevista coletiva na qual acusou o candidato oficialista de "mentir" sobre a morte do presidente e de usá-la para fazer campanha política. "Vou lutar com vocês, com todos vocês. Nicolás, não vou deixar o caminho livre para você, companheiro. Você terá que me derrotar com votos", provocou Capriles durante uma entrevista coletiva, acrescentando que, na tarde desta segunda-feira, irá formalizar sua candidatura ante o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). Capriles é governador do estado de Miranda (norte) e já foi prefeito do município de Baruta.

Capriles criticou duramente o governo por sua forma de lidar com a doença de Chávez. "Quem sabe quando morreu o presidente Chávez? Vocês tinham tudo calculado (...) Agora vocês utilizam o corpo do presidente para fazer campanha política", afirmou Capriles, depois de acusar "Nicolás e seu combo" de estar "doentes de poder".

De maneira imediata e com uma foto de Chávez atrás, Maduro, um ex-motorista de ônibus e ex-sindicalista de 50 anos, chamou Capriles de "fascista de rosto nauseabundo", "miserável" e o acusou de "sujar" a memória do "comandante supremo da revolução". "Cai a máscara e se vê o rosto nauseabundo do fascista que é. Seu objetivo é provocar o povo da Venezuela, é um irresponsável. Está buscando que o povo da Venezuela saia da via e vá pelos caminhos da violência", disse. "Está buscando a violência para romper o tabuleiro político venezuelano e então manchar o processo eleitoral (...) e depois justificar sua retirada da campanha pela violência que ele mesmo gerou com suas grandes ofensas ao povo", acrescentou.

A eleição está programada para o dia 14 de abril e analistas apontam que serão difíceis para a oposição, devido ao clima de comoção entre os chavistas após a morte de seu líder, que governou o país por 14 anos.

Depois de atacar o adversário, Maduro, que assumiu o governo como presidente interino na sexta-feira, anunciou que o governo deve propor uma emenda constitucional para levar o corpo de Chávez ao Panteão, onde está o libertador Simón Bolívar, o que deve ser submetido a referendo em 30 dias. "Se há alguém que ganhou em 200 anos o direito de ir ao Panteão Nacional é o comandante Hugo Chávez, elevado ao grau de redentor dos pobres", afirmou Maduro.

Ele não citou explicitamente a convocação de um referendo, a Constituição estabelece que as emendas da Carta Magna devem ser submetidas a votação popular. A Constituição estabelece atualmente que devem transcorrer 25 anos do falecimento de um venezuelano para que possa entrar no Panteão.

"O oficialismo estaria fazendo uma jogada interessante: atrelar a emenda às eleições, de forma que estas estariam completamente centradas em Chávez", disse à AFP o presidente do instituto Datanálisis, Luis Vicente León. O corpo de Hugo Chávez, exposto na capela ardente na Academia Militar, será levado na próxima sexta-feira para o Museu da Revolução, em Caracas, anunciou Maduro.

O Museu da Revolução é um antigo quartel-general a partir do qual Chávez iniciou, em 4 de fevereiro de 1992, uma tentativa frustrada de golpe de Estado que o tornou conhecido e deu início a sua carreira política. Chávez faleceu na terça-feira da semana passada aos 58 anos, vítima de câncer, e seu corpo permanecerá na capela ardente até meia-noite de quinta-feira na Academia Militar, onde milhares de simpatizantes passam horas na fila para a despedida.

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