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Líbia: dados preliminares apontam vitória de liberais

por AFP — publicado 08/07/2012 17h05, última modificação 06/06/2015 17h28
Caso esses resultados se confirmem, a Líbia será uma exceção aos casos de Tunísia e Egito, onde os islamitas chegaram ao poder
Libia 2

Líbios protestam contra a divisão de cadeiras na futura assembleia (100 vagas para o oeste, 60 para o leste e 40 para o sul). Foto: AFP

Informações preliminares apontam que a coalizão liberal, Aliança das Forças Nacionais (AFN), encabeça os resultados da maioria dos colégios eleitorais da Líbia após a primeira eleições históricas de sábado, que contou com 60% de participação e que valeu ao país elogios da comunidade internacional.

O chefe do Partido da Justiça e da Construção (PJC), procedente da Irmandade Muçulmana, Mohamed Sawan, disse haver um considerável avanço em Trípoli e em Benghazi da AFN, que reúne mais de 40 pequenos partidos em torno dos artífices da revolução de 2011, feita contra o regime de Muammar Kadhafi.

"Segundo as informações preliminares, a coalizão está liderando as apurações na maioria dos colégios eleitorais", disse à AFP Faisal al-Krekchi, secretário-geral da AFN.

Caso esses resultados se confirmem, a Líbia será uma exceção aos casos de Tunísia e Egito, onde os islamitas chegaram ao poder nas primeiras eleições celebradas após as quedas de seus respectivos ditadores, decorrente da série de revoltas conhecidas como Primavera Árabe.

Vários observadores eleitorais em Trípoli e Benghazi, consultados pela AFP, contam com uma esmagadora vitória dos liberais, cogitando a obtenção de cerca de 90% dos votos em alguns bairros, como Abu Salim, na capital.

A comunidade internacional teceu uma série de elogios ao processo eleitoral histórico no país.

A União Europeia (UE) considerou que as eleições se desenvolveram "em um clima de liberdade" e o presidente norte-americano, Barack Obama, felicitou o povo líbio pela "outra etapa importante de sua extraordinária transição para a democracia".

Além da AFN, duas outras formações políticas se destacaram durante a campanha eleitoral: os islamitas Partido da Justiça e da Construção (PJC), um braço da Irmandade Muçulmana, e o Al-Watan, do polêmico ex-chefe militar de Trípoli Abdelhakim Belhaj.

 

A repartição geográfica dos assentos da assembleia foi muito discutida, sobretudo no leste do país, onde os partidários do federalismo pediam mais deputados.

O Conselho Nacional de Transição decidiu finalmente distribuir assentos de acordo com considerações demográficas, de modo que 100 serão eleitos no oeste do país, onde há o maior número de habitantes.

O CNT também decidiu sob pressão que o sistema de votação da futura Assembleia Constituinte seja por maioria de dois terços, de modo que o oeste do país não possa tomar uma decisão sem a aprovação das outras regiões.

Os federalistas exigem uma "repartição equitativa" dos assentos e ameaçam boicotar e sabotar o processo eleitoral se suas reivindicações não forem levadas em conta. Nos últimos dias eles inclusive saquearam centros de votação no leste da Líbia, sobretudo na cidade de Benghazi.

Diante dessas ameaças, existem dúvidas sobre a capacidade das autoridades de garantir a segurança das eleições, em um país onde milícias com armas pesadas circulam impunemente.

 

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