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Israel marca data para começar a prender imigrantes do Sudão

por Redação Carta Capital — publicado 30/08/2012 16h34, última modificação 06/06/2015 18h28
Ministro do Interior afirma que vai tornar "amarga" a vida dos refugiados africanos que não forem embora de Israel até outubro
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante reunião de seu gabinete nesta semana. Ele conta com grande apoio do Shas, o partido religioso do qual faz parte Eli Yishai, o ministro do Interior de Israel. Foto: Uriel Sinai / AFP

O ministro do Interior de Israel, Eli Yishai, fanático religioso integrante de um partido que defende a adoção de leis religiosas judaicas, continua prejudicando a imagem internacional de seu país. Depois de afirmar em maio que Israel deveria cuidar dos imigrantes ilegais com "mais prisões e campos de detenção", Yishai estabeleceu na última quarta-feira o dia 15 de outubro como data para as prisões terem início, uma campanha cujo objetivo é "garantir um Estado judeu e sionista para nossas crianças".

Yishai divulgou um comunicado na quarta-feira 29 sobre a política de prisões após obter aval do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. As regras valem, ao menos por enquanto, para os nacionais do Sudão. Os imigrantes sudaneses terão até o dia 15 para deixar Israel. Os que optarem por ir embora receberão apoio financeiro Ministério do Interior. Os que ficarem no país serão detidos, com base em uma lei aprovada pelo Parlamento de Israel em janeiro, que autoriza a prisão de imigrantes, por até três anos, mesmo sem autorização da Justiça. O próprio Yishai deixou claro o objetivo da ação. "Vamos tornar a vida dos infiltrados amarga até que deixem o país", afirmou.

Esses imigrantes ficarão presos por tempo indeterminado porque Israel não pode deportá-los ao Sudão. Os dois países não têm relações diplomáticas, uma vez que Israel considera o Sudão um país financiador de terrorismo.

Depois dos sudaneses, os imigrantes da Eritreia, a maior parte dos 60 mil ilegais que chegaram a Israel nos últimos meses, são o próximo alvo. Yishai prometeu, segundo o jornal The Jerusalem Post, usar "todo seu poder" para "obter aprovação legal para prender e deportar de Israel os infiltrados eritreus". No caso dos imigrantes da Eritreia há também uma dificuldade jurídica. Israel não pode deportá-los pois eles ficariam sujeitos a perseguição por parte da ditadura que comanda o país africano. A Eritreia considera a maioria desses imigrantes como desertores, pois lá o serviço militar de um ano e meio é obrigatório entre os 17 e os 45 anos, e muitas vezes estendido por tempo indeterminado.

Medida gerou críticas dentro e fora de Israel

A resposta à nova política do Ministério do Interior foi dura. A Anistia Internacional afirmou que as medidas são "cruéis" e violam tratados internacionais assinados por Israel. Ao site Ynet, um integrante do grupo afirmou que a vontade de Yishai e Netanyahu de "classificar as pessoas que buscam asilo como criminosos é na verdade uma manifestação de seu desejo de serem bem vistos pelo público, mesmo que isso significa agir de forma imoral". Como em muitos outros países do mundo, a chegada de imigrantes ilegais provocou instabilidade no país e . Ao mesmo tempo, houve protestos contra a hostilidade de parte do governo e da sociedade aos imigrantes.

Organizações israelenses também criticaram o ministro. "Prender refugiados do Sudão e de Darfur, que são sobreviventes de genocídio, é uma clara violação da Convenção de Refugiados da ONU", disse a organização Linha para os Trabalhadores Migrantes segundo o jornal Haaretz. "A completa indiferença de Yishai à vida humana é assombrosa", afirmou o advogado Yonatan Berman, da Clínica para os Direitos dos Migrantes.

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