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Internacional

Guerra ao Hamas

Israel intensifica ataques e prepara ação terrestre

por AFP — publicado 18/11/2012 07h29, última modificação 06/06/2015 19h24
"É um filme de terror que se tornou realidade", diz sobrevivente palestina

*Matéria atualizada às 16h45

 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo que Israel está disposto a "intensificar significativamente" a operação iniciada na quarta-feira contra a Faixa de Gaza governada pelo Hamas.

"O exército está preparado para intensificar significativamente a operação", disse Netanyahu no início do conselho de ministros. "Os soldados estão preparados para qualquer atividade que possa ser levada adiante", disse.

O primeiro-ministro fez seus comentários enquanto milhares de soldados e equipamentos militares se concentram junto à fronteira com Gaza, o que alimenta a hipótese de que Israel inicie uma operação terrestre após cinco dias de ataques aéreos.

Os bombardeios israelenses mataram neste sábado 16 palestinos em Gaza e destruíram a sede do governo do Hamas, enquanto reuniões são realizadas no Cairo para tentar estabelecer uma trégua.

Durante a manhã de domingo, seis palestinos faleceram, quatro deles crianças. Com isto, já são 64 os palestinos mortos desde quarta-feira, início da operação Pilar de Defesa, enquanto três israelenses perderam a vida por foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza.

Após 10 horas de calma que terminaram às 5h GMT (3h de Brasília), os grupos armados palestinos dispararam 33 foguetes contra Israel, dos quais seis foram interceptados pelo sistema antimísseis Iron Dome, disseram as Forças Armadas.

Três eram dirigidos a Tel Aviv, o que ativou as sirenes na metrópole pelo quarto dia. O Iron Dome interceptou os dois, disse a polícia.

Milhares de tropas israelenses se concentram ao longo da fronteira, levantando os temores da iminência de um ataque terrestre.

Os bombardeios prosseguem em meio às negociações árabes no Cairo em busca de uma eventual trégua, na qual participará o Hamas e outros grupos que estão por trás do lançamento de foguetes, como a Jihad Islâmica.

No sábado, o presidente egípcio, Mohamed Mursi, tentava demonstrar otimismo ao mencionr contatos com Israel e com os palestinos e "algumas indicações sobre a possibilidade de um cessar-fogo em breve".

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, conduzirá uma delegação ministerial a Gaza em sinal de solidariedade, anunciou a organização ao final de uma reunião de emergência dos ministros árabes das Relações Exteriores neste sábado no Cairo.

 

Além disso, o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, é aguardado neste domingo em Jerusalém e em Ramallah, segundo fontes oficiais.

O líder do Hamas no exílio, Khaled Mechaal, realizava negociações por uma trégua no Cairo com o chefe do serviço de inteligência egípcio, com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e com o emir do Qatar, Hamad Ben Khalifa Al-Thani, mas seu movimento exige garantias internacionais, segundo um alto funcionário do Hamas, que não quis ser identificado.

"Por intermédio do Egito, nós chegamos a um acordo sobre uma trégua (segunda-feira), e ela foi quebrada em 48 horas", lembrou essa autoridade.

"O Egito não pode mais fornecer garantias de uma trégua", considerou.

Erdogan considerou que Israel tem total responsabilidade pela escalada e deve prestar contas "pelo massacre dessas crianças inocentes". Em visita neste sábado de manhã a Gaza, o ministro tunisiano das Relações Exteriores, Rafik Abdessalem, também denunciou uma "agressão israelense flagrante".

A Casa Branca, por outro lado, reafirmou que "os disparos de foguetes a partir de Gaza são o fator desencadeador deste conflito", reconhecendo o direito de Israel "de se defender e de decidir a tática a se utilizada".

Domo de Ferro. No sábado à noite, cinco palestinos foram mortos, sendo quatro homens em dois ataques israelenses no centro da Faixa de Gaza e uma mulher em uma casa atingida no sul do território.

As casas de cinco comandantes militares do Hamas foram alvos de ataques aéreos no território, segundo o movimento e testemunhas.

No total, a ofensiva israelense matou 16 palestinos neste sábado, incluindo pelo menos sete combatentes do Hamas e um da Jihad Islâmica, segundo fontes médicas em Gaza.

Enquanto isso, nove israelenses ficaram feridos, incluindo quatro soldados, de acordo com o Exército israelense, que indicou 733 foguetes disparados desde quarta-feira a partir do território palestino, sendo que 243 foram interceptados pelo sistema antimísseis "Domo de Ferro", e 950 alvos atingidos na Faixa de Gaza.

Além da sede do governo do Hamas, os ataques atingiram o quartel-general da polícia, a Universidade Islâmica e o estádio "Palestina", principal centro esportivo de Gaza.

Em torno do prédio de dois andares do governo, inteiramente destruído, ainda havia durante a manhã um cheiro de pólvora. A poeira tomava conta do ar e papéis e pedaços de madeira estavam espalhados por todos os lados.

O ataque provocou pânico. "É um filme de terror que se tornou realidade", disse Soha, de 18 anos, ferida em sua cama por pedaços de vidro.

Pelo terceiro dia consecutivo, as sirenes de alerta soaram em Tel Aviv. Pouco depois, uma nova bateria "Domo de Ferro", instalada de manhã, interceptou um foguete.

O disparo foi reivindicado pelo Hamas, que afirmou ter disparado um foguete Fajr 5. Na quinta e na sexta-feira, três foguetes caíram na região de Tel Aviv, capital econômica de Israel, sendo dois no mar.

O confronto chegou na sexta-feira a um novo patamar com o disparo de um foguete, que caiu sem deixar vítimas na Cisjordânia, a cinco quilômetros a sudoeste de Jerusalém.

No momento em que os preparativos para uma eventual operação terrestre se intensificam, cerca de 20.000 reservistas israelenses foram mobilizados, e o governo pode autorizar no domingo a mobilização de um total de 75.000 reservistas.

Em plena campanha eleitoral para as legislativas de janeiro, Israel lançou sua ofensiva na quarta-feira com um ataque contra Ahmed Jaabari, chefe de operações militares do Hamas em Gaza, a mais importante autoridade morta desde a ofensiva devastadora de dezembro de 2008 - janeiro de 2009, que apenas suspendeu temporariamente os disparos de foguetes.

 

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