Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Hillary sai de cena, mas deve voltar em 2016

Internacional

Estados Unidos

Hillary sai de cena, mas deve voltar em 2016

por José Antonio Lima publicado 31/01/2013 09h49, última modificação 31/01/2013 10h02
A secretária de Estado norte-americana deixa o cargo em fevereiro e quer uma "vida normal", mas já é favorita para substituir Obama

 

Após quatro anos como chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Hillary Clinton deixará o Departamento de Estado. Ex-primeira-dama, ex-senadora e, agora, ex-secretária, Hillary vai se dedicar à sua principal causa, os direitos das mulheres, mas muitos fatores indicam que ela deve voltar aos holofotes em 2016, último ano do mandato de Obama, para tentar substituí-lo na Casa Branca.

Oficialmente, Hillary desconversa sobre uma possível candidatura. Em entrevista conjunta com Obama ao programa 60 Minutes, da rede CBS, Hillary disse que ainda não poderia falar sobre política, pois continuava secretária de Estado. Na terça-feira 29, dia em que o Senado aprovou o nome de John Kerry como seu substituto, Hillary disse à CNN querer uma vida normal e afirmou “não estar pensando nisso [a candidatura] agora”. Ocorre que Hillary é um nome fortíssimo para se candidatar.

A ex-mulher de Bill Clinton tem 65 anos. Em 2016, terá 69 anos, mesma idade de Ronald Reagan quando foi eleito para a Casa Branca. Sua saúde parece em ordem, apesar do desmaio e concussão sofridos em dezembro. Hillary parece ter um problema na visão após o episódio, mas diz que os médicos garantem sua recuperação total em breve.

Hillary é uma liderança política extremamente popular. Neste mês, uma empresa de pesquisa ligada ao Partido Democrata mostrou que a mulher de Bill Clinton é vista favoravelmente por 54% dos eleitores registrados, enquanto 39% têm opiniões negativas sobre ela. Entre os democratas, a visão favorável vai a 79%. Numa pergunta específica sobre quem deveria ser o candidato democrata, Hillary obteve 57% de apoio. O segundo colocado foi o atual vice de Obama, Joe Biden, com apenas 16%. Os outros sete nomes listados do partido não chegaram nem aos 5%.

Hillary tem, também, capacidade para derrotar os principais nomes do Partido Republicano para 2016, como o ex-governador da Flórida Jeb Bush, o senador Marco Rubio e o deputado Paul Ryan. Quem aparece mais perto dela entre os nomes republicanos (44% a 42%) é o governador de New Jersey, Chris Christie.

Soma-se a tudo isso o legado de Hillary na secretaria de Estado. Analistas americanos dizem que ela não entrará para a história como outros secretários importantes, como Henry Kissinger ou John Baker, mas seu saldo é positivo.

Após uma duríssima disputa com Obama nas primárias democratas em 2008, os dois formaram uma improváve mas firme parceria. Juntos, criaram uma política externa que não promove grandes transformações. A estratégia é vista como hipócrita pelo resto do mundo e como covarde por republicanos saudosos da Washington intervencionista, mas é muito útil e eficiente para os Estados Unidos no momento atual. Resumindo as palavras de Obama na recente entrevista à CBS: seu governo está do lado da liberdade e das aspirações dos povos, mas sabe que não pode controlar todas as transformações do mundo e precisa garantir a segurança nacional. Assim, o desafio é encontrar oportunidade onde a intervenção possa fazer diferença.

Com essa ideia em mente, Hillary seguiu o comando da Casa Branca e ajudou os EUA a acabarem com o conflito no Iraque e dar início à retirada do Afeganistão. Pegos de surpresa pela chamada Primavera Árabe, Obama e Hillary demoraram a reagir e só colocaram o peso dos Estados Unidos, em diferentes medidas, onde acharam conveniente: Egito, Tunísia e Líbia. A repressão no Bahrein, aliado dos EUA, continua crescendo, assim como o desastre humanitário na Síria. Contingências da diplomacia norte-americana.

A parte mais importante da gestão Hillary, entretanto, é o chamado pivô para a Ásia, cujo objetivo é trocar o centro da geopolítica norte-americana do Oriente Médio para o extremo-oriente. Para fazer isso, os EUA melhoraram, e Hillary teve papel decisivo nas relações com países europeus como França, Reino Unido e Alemanha. Ao “liderar por trás”, os EUA conseguiram que franceses e britânicos comandassem a ofensiva na Líbia e, agora, que os franceses liderassem a intervenção no Norte da África. Ao mesmo tempo, os EUA reforçaram as parcerias com a Austrália, a Coreia do Sul e o Japão, além de países do Sudeste Asiático, incluindo Mianmar, uma ditadura em transição que decidiu mudar, entre outros motivos, após anos de pressão dos Estados Unidos.

Na secretaria de Estado, Hillary elevou ainda mais seu status político. Antes, já tinha provado ser capacitada para lidar com os problemas internos norte-americanos. Agora, os eleitores viram Hillary mostrar conhecimentos estratégicos fundamentais. Ela fez isso sem se aproximar da parte mais nefasta da política externa de Obama, os ataques indiscriminados da CIA - organização fora de sua alçada - com aviões não-tripulados em países como Iêmen e Paquistão, e trazendo um toque pessoal à diplomacia: elevando a importância de temas como os direitos das mulheres e o combate à pobreza. Os próximos quatro anos vão decidir, mas hoje Hillary é favorita para substituir Obama na Casa Branca.

registrado em: