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Hillary e o protagonismo das mulheres

por Redação — publicado 27/07/2016 10h52
A confirmação da escolha do Partido Democrata "quebra o teto de vidro" da representação feminina na política
Justin Sullivan / Getty Images North America / AFP
Hillary Clinton

Hillary Clinton durante ato de campanha em Charlotte, em 25 de julho: ela é a nomeada do partido

Em 7 de junho de 2008, ao admitir a derrota para Barack Obama nas primárias do Partido Democrata, Hillary Clinton fez um discurso que se tornou simbólico. A então senadora lembrou que naquele dia Karen L. Nyberg se tornava a 50ª mulher da história a ser enviada a uma missão espacial e afirmou que "se conseguimos mandar 50 mulheres para o espaço, algum dia vamos lançar uma mulher para a Casa Branca".

Hillary acrescentou que não foi possível quebrar "o teto de vidro", mas que ele estava trincado a partir de então, dando "a esperança de que o caminho será um pouco mais fácil da próxima vez." Hillary tinha razão. Na noite de terça-feira 26, a ex-secretária de Estado foi oficialmente nomeada candidata do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos durante a convenção nacional da legenda que ocorre na Filadélfia.

Com a nomeação formal, Hillary torna-se a primeira mulher a concorrer à Casa Branca por um dos dois grandes partidos americanos. No fim da cerimônia, em meio aos acordes de "Girl on Fire", tocada ao vivo por Alicia Keys, o telão do Wells Fargo Center exibiu uma montagem com fotos de todos os presidentes dos EUA e, em seguida, surgiu Hillary, "quebrando o vidro" (vídeo abaixo). 

"Não acredito que acabamos de colocar a maior rachadura naquele teto de vidro", afirmou a candidata. 

"Se há algumas meninas que ficaram acordadas até tarde para me ouvir, deixe-me dizer que posso ser a primeira mulher presidente (dos EUA), mas que elas serão as próximas", disse Hillary. Pelo Twitter, ela continuou. "Esse momento é para todas as garotas que sonham alto. Nós fizemos história", disse logo após o anúncio de sua candidatura.

Hillary não esteve presente na cerimônia na Filadélfia – ela deve ir apenas na quinta-feira 29, quando deverá participar pessoalmente da convenção, para pronunciar o discurso para aceitar a nomeação – e foi apresentada pela senadora Barbara Mikulski, veterana no Congresso com quase 30 anos no cargo. "Sim, nós quebramos barreiras. Eu quebrei barreiras quando me tornei a primeira mulher democrata eleita ao Senado", disse Mikulski. "Por isso, é com o coração cheio que eu estou aqui hoje para nomear Hillary Clinton para ser a primeira mulher presidente", afirmou.

A atriz Meryl Streep foi outra que destacou o protagonismo feminino. Com um vestido com estampa inspirada na bandeira americana, Streep comparou Hillary a uma série de mulheres que fizeram história no país. "Essas mulheres têm algo em comum [...] Elas forjaram novos caminhos para que outros pudessem segui-las – homens e mulheres, de geração em geração. Essa é Hillary. Essa á a América", discursou Streep.

Meryl Streep
Meryl Streep: a atriz apoiou Hillary

Partido unido?

A convenção nacional democrata teve início na segunda-feira 25 sob a sombra do vazamento de e-mails da liderança da legenda. Divulgadas pelo WikiLeaks, as mensagens mostraram que o establishment do partido agiram para promover a vitória de Hillary sobre seu principal rival, Bernie Sanders, um senador independente que entrou no Partido Democrata para disputar a nomeação.

O vazamento ensejou protestos de apoiadores de Sanders e uma intensa troca de farpas entre os dois lados. Sanders atuou de forma a tentar apaziguar os ânimos, com o intuito de unir a sigla contra o que avalia ser um mal maior – Donald Trump, o candidato republicano.

Na manhã de terça-feira, Sanders se com delegados do estado da Califórnia e pediu que apoiassem Hillary. "O que devemos fazer agora é derrotar Donald Trump e eleger Hillary Clinton. Ou mais tarde olharemos para trás apenas para nos arrependermos", disse o senador ante delegados que não pareciam muito convencidos.

"Na minha opinião, é fácil demais vaiar, mas é mais difícil olhar o rosto das crianças que terão que viver sob uma presidência de Trump", acrescentou Sanders, que nas primárias se converteu no representante dos eleitores irritados com o rumo do partido.

Durante a jornada, o vice-presidente americano, Joe Biden, também esteve na convenção e, em um diálogo informal com um grupo de jornalistas, opinou que era necessário que se permitisse que esses eleitores expressassem sua indignação. "Deixem que fiquem frustrados. Tudo vai sair bem".

Na noite de terça a votação foi realizada por ordem alfabética, estado por estado. Hillary ultrapassou os 2.383 votos de delegados (de um total de 4.763) que precisava para oficializar a indicação, mas oficialmente terá todos os votos democratas.

Sanders solicitou que seu estado, Vermont, fosse o último a votar. Quando tomou a palavra para propor a moção de interromper a sessão e declarar Hillary vencedora, recebeu uma espetacular ovação generalizada e um coro de "Bernie, Bernie!" que durou vários minutos.

No palanque, ele cedeu todos os delegados que o apoiavam e pediu uma votação unânime em favor de Hillary. "Eu proponho que Hillary Clinton seja escolhida candidata do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos", declarou Sanders, numa tentativa simbólica de unificar o partido.

Debates presidenciais

Hillary disputará a eleição presidencial de novembro com Donald Trump. Nova York, local de residência de ambos, foi a cidade escolhida para a realização do primeiro debate entre os dois candidatos, segundo informou a comissão de debates presidenciais.

Os dois se enfrentarão no dia 26 de setembro na Universidade de Hofstra, em Long Island. Devem ocorrer pelo menos outros dois debates: na Universidade de Washington, em Saint Louis, em 9 de outubro, e na Universidade de Nevada, em Las Vegas, em 19 de outubro.

Por sua vez, os candidatos à vice-presidência ficarão frente a frente na Universidade de Longwood, na Virgínia, no dia 4 de outubro.

*Com informações da Deutsche Welle e da AFP