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Venezuela

Governo e oposição convocam população para protestos

por AFP — publicado 16/04/2013 09h09, última modificação 16/04/2013 09h10
Maduro foi declarado vencedor por pequena margem de votos. Capriles ainda quer uma recontagem
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Apoiadores de Capriles fazem manifestação em Caracas, na segunda-feira 15. Os oposicionistas devem continuar nas ruas pedindo a recontagem dos votos. Foto: Luis Acosta / AFP

O recém-proclamado presidente venezuelano, Nicolas Maduro, e o candidato derrotado e líder da oposição, Henrique Capriles, convocaram na segunda-feira seus partidários a ocupar as ruas em protestos, um dia após a eleição presidencial que literalmente dividiu o país.

No início da tarde, Capriles convocou uma mobilização popular, com panelaços e passeatas na terça e quarta-feira diante das sedes regionais do CNE para exigir a recontagem dos votos. "Nosso povo vai expressar sua raiva diante de todas as ações por parte de quem detém o poder (...). Nossa luta precisa ser firme, mas pacífica", disse Capriles em entrevista coletiva.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) proclamou a vitória de Maduro por 50,75% dos votos, contra 48,97% para Capriles.

Maduro reagiu acusando a oposição de "golpismo" e convocou contramanifestações para os próximos dois dias. "Quem pretende vulnerar a maioria da democracia está fazendo uma convocação para um golpe de estado e denuncio que na Venezuela está em andamento a preparação de um ataque às instituições democráticas", disse Maduro em seu discurso no CNE. "Maioria é maioria e isso deve ser respeitado. Na democracia não se pode tentar emboscadas, tramas para vulnerar a soberania popular, a vontade popular (...) Isso só tem um nome: golpismo".

"Sigo propondo a paz e convoco o povo a lutar em paz, a se mobilizar em todo o país pela paz, mobilizações em todo o país amanhã e na quarta-feira", afirmou Maduro em entrevista ao canal estatal VTV.

Maduro muda de postura

Maduro, que no domingo à noite chegou a aceitar a recontagem, nesta segunda classificou o pedido como um "capricho" da oposição. "Os caprichos da burguesia, em que parte do mundo se faz uma auditoria de 100% (...), em qual país do mundo se faz com 54%, nenhum. Aqui, nós fazemos por lei", frisou. "Você convocou a violência às ruas e você é responsável frente ao país (...) se houver mortos ou feridos, você é responsável", disse Maduro a Capriles.

Logo após a proclamação de Maduro como presidente, milhares de pessoas iniciaram um ruidoso protesto na capital venezuelana. Aos gritos de "fraude", os opositores realizaram um 'panelaço' e queimaram pneus em várias ruas de Caracas para exigir a recontagem de todos os votos. Na região da Praça Altamira, no leste de Caracas, a polícia militar enfrentou um grupo de opositores com bombas de gás lacrimogêneo, enquanto outros manifestantes ocupavam as ruas do município de Chacao, constatou a AFP.

Na avenida Chacao, enquanto manifestantes queimavam lixo, pneus e outros objetos, Rosiris Fernández, uma estudante de turismo de 25 anos, argumentava: "não nos deram outra opção que isto". "Isto é um modo de mostrar nossa raiva porque roubaram esta eleição. É a única maneira de defender nosso voto. Vamos seguir nas ruas, resistindo", disse a jovem enrolada em uma bandeira venezuelana.

"Aqui houve fraude (...). Aqui há um povo na rua, esta metade que não é povo para eles. Não me importo de morrer pela democracia", afirmou Miriam Palacio, 62 anos, na avenida Francisco de Miranda. Após sair da cerimônia de proclamação na sede do CNE, cercado por milhares de chavistas, Maduro advertiu o prefeito de Chacao, Emilio Graterón, que se "passar um centímetro da legalidade, pagará à justiça".