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França: socialista François Hollande é eleito presidente, diz boca de urna

por AFP — publicado 06/05/2012 16h35, última modificação 06/06/2015 18h59
Segundo o instituto CSA, François Hollande, obteve 51,8% dos votos, para o Ipsos 51,9 dos votos e para o TNS Sofres, 52% frente ao presidente conservador Nicolas Sarkozy.
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François Hollande diz querer ter "uma presidência normal". Foto: AFP

PARIS, França (AFP) - O socialista François Hollande foi eleito presidente da França ao final da votação do segundo turno das eleições presidenciais, de acordo as estimativas de quatro institutos de pesquisa.

Segundo o instituto CSA, François Hollande, obteve 51,8% dos votos, para o Ipsos 51,9 dos votos e para o TNS Sofres, 52% frente ao presidente conservador Nicolas Sarkozy.

Hollande se converte assim no segundo presidente socialista da V República Francesa fundada pelo general Charles De Gaulle em 1958, depois de François Mitterrand, chefe de Estado de 1981 a 1995.

Hollande, que no primeiro turno de 22 de abril obteve 28,63% dos votos, votou cedo em sua Tulle, sua cidadezinha no departamento de Corrèze (centro).

"Vai ser um longo dia, mas não sei se vai ser um bom dia, isso os franceses vão decidir", afirmou Hollande após votar.

Mais cedo, um de seus aliados, Jean-Marc Ayrault, afirmou que um de seus primeiros atos como presidente eleito será entrar em contato com a chefe do governo alemão, Angela Merkel, na noite deste domingo.

"Creio que ele entrará em contato com Merkel para discutir uma reorientação da Europa pelo crescimento, pela competitividade e pela proteção", disse a jornalistas Ayrault, possível primeiro-ministro de Hollande.

Hollande anunciou que renegociará o pacto fiscal europeu de ajustes e austeridade, elaborado por Sarkozy e Merkel, como parte de uma aliança batizada por ele de 'Merkozy', visando o acréscimo de um capítulo de apoio ao crescimento.

A campanha eleitoral terminou oficialmente nesta sexta-feira e agora, pela lei, os candidatos deviam se manter em silêncio, assim como as estimativas, até o fechamento das urnas às 18H00 GMT (15H00 de Brasília).

O segundo turno da eleição presidencial francesa foi iniciado formalmente neste sábado com a abertura de quatro postos de votação em Saint Pierre e Miquelon, no Atlântico Norte.

Também votaram no sábado os cidadãos de Guiana, Guadalupe, Martinica, San Martin, Polinésia Francesa, Wallis e Futuna e Nova Caledônia, assim como os franceses no continente americano. Na França metropolitana, os colégios abrirão no domingo às 08H00 local (06H00 GMT; 03H00 de Brasília).

Após o fechamento da campanha, Hollande pediu a seus compatriotas para que lhe dessem uma amplia vitória. "Se os franceses devem eleger alguém, que o façam claramente, massivamente, que deem seus votos aquele que possui a capacidade e os meios para atuar", afirmou na sexta-feira.

O candidato socialista disse ainda que representa "mais que a esquerda". "Represento a todos os republicanos, os humanistas, os apegados aos valores e princípios", disse em Moselle (leste).

Na quinta-feira, Hollande recebeu o apoio do dirigente centrista François Bayrou (que recebeu 9,13% de votos no primeiro turno), que disse que votaria nele mesmo sem o consentimento de seus partidários.

A dirigente da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen (terceiro lugar no primeiro turno, com quase 18%), por sua vez, disse que votaria em branco e criticou com virulência ao presidente, apesar de este ter centrado boa parte de sua campanha em questões de imigração e segurança para atrair ao eleitorado ultradireitista.

O candidato socialista se beneficiou, por outro lado, do apoio incondicional do candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon (11,10% dos votos no primeiro turno) e da ecologista Eva Joly (2,31%).

A eleição francesa é observada com especial atenção pela União Europeia (UE), afetada pela crise da dívida, devido a proclamada vontade de Hollande de renegociar o pacto fiscal, com duros ajustes, impulsionado pela Alemanha, para incluir políticas de reativação do crescimento.

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