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The Observer

Fórmula 1 se degrada com Grande Prêmio de Bahrein

por The Observer — publicado 17/04/2012 08h53, última modificação 17/04/2012 08h53
Pilotos, patrocinadores e donos de equipes devem considerar isto: darão cobertura a um regime que abusa dos direitos humanos
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O reino do Bahrein é um regime repressivo que prendeu e matou cidadãos que fazem campanha pela reforma de sua monarquia. Nas aldeias xiitas do Estado liderado pela minoria sunita, que foi sustentada no ano passado pela intervenção das tropas sauditas, os protestos continuam diariamente.

Na semana passada aldeias xiitas foram atacadas por defensores do regime com facas e paus. Enquanto é verdade que a família governante do país encomendou um relatório crítico sobre a violência no ano passado, também é fato que apesar de prometer reformar o regime renegou a maioria de suas promessas. E os que cometem abusos em seus serviços de segurança ficaram de modo geral impunes.

Poderíamos pensar que, nessas circunstâncias, um importante esporte internacional e os que o representam poderiam se sentir um pouco incômodos em ser convidados a encenar um evento no Bahrein que já está sendo usado pelo regime para apagar o que aconteceu na última primavera e os abusos que continuam ocorrendo.

Mas o "esporte" de que falamos é a Fórmula 1, cujo órgão administrativo, a FIA, anunciou na semana passada que é "segura" a realização do Grande Prêmio do Bahrein no próximo domingo, apesar de o do ano passado ter sido cancelado no meio de uma sangrenta repressão do governo.

A realidade é que a Fórmula 1 não é realmente muito parecida com os outros esportes, ou, na verdade, com um esporte.

Em vez disso, o negócio, de propriedade da firma de capital de risco CVC e dirigido por Bernie Ecclestone em seu nome, mais habitualmente demonstra os piores aspectos da cultura corporativa global do que os melhores ideais coríntios.

Consiste em um arranjo de "atletas" super-ricos -- se é que podem ser chamados assim --, patrocinadores e países hospedeiros cujo interesse é mais pelo resultado final e o prestígio do que pela competição.

Não querendo incomodar a família real de Bahrein -- que possui 40% da equipe McLaren --, as manobras cínicas para justificar a realização do Grande Prêmio do Bahrein tornaram-se cada vez mais desonestas.

Isso incluiu o emprego pelo Bahrein como consultor do ex-chefe da Polícia Metropolitana de Londres, John Yates, que escreveu obedientemente para o administrador da FIA, Jean Todt, dizendo que se sentia "mais seguro" vivendo em Bahrein do que em Londres e atribuiu os protestos a uma minoria "criminosa".

A realidade, no entanto, como a Anistia deixou claro alguns dias atrás, é que "a crise de direitos humanos no Bahrein não terminou". E acrescentou: "Apesar das afirmações em contrário das autoridades, a violência do Estado contra os que se opõem à família Al Khalifa continua, e na prática não muita coisa mudou no país desde a brutal repressão aos manifestantes contra o governo em fevereiro e março de 2011".

Talvez seja demais esperar que Ecclestone, que enriqueceu enormemente com a Fórmula 1, mostre uma espinha dorsal moral. Mas os pilotos, patrocinadores e donos de equipes que participam devem considerar que com isso estarão dando cobertura a um regime violento, que abusa dos direitos humanos, e serão vistos por muitos habitantes locais e outros como cúmplices desses abusos. Também podemos atuar não assistindo. Porque o esporte -- apesar dos protestos dos lobistas pagos pela Fórmula 1 -- não é divorciado do mundo moral, e esse evento, e o comportamento contumaz de Bahrein, exige nossa reprovação.

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