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EUA e monarquias árabes fecham embaixadas na Síria

por Redação Carta Capital — publicado 07/02/2012 18h41, última modificação 07/02/2012 18h46
Em meio à pressão internacional, presidente Bashar al-Assad diz estar pronto para "cooperar" pela estabilidade no país, enquanto é acusado de repetir as mesmas promessas há meses

Os Estados Unidos anunciaram, na segunda-feira 6, o fechamento de sua embaixada em Damasco, como mais uma medida de retaliação diplomática ao regime de Bashar al-Assad. O Departamento de Estado Americano disse que o embaixador, Robert Ford, já deixou o país junto com o restante dos funcionários americanos. As informações são da BBC.

O Departamento afirmou ainda que as autoridades sírias falharam em responder adequadamente a suas preocupações de segurança.

As monarquias árabes do Golfo também retiraram os seus diplomatas dos postos em Damasco, denunciando "o massacre coletivo" cometido pelo regime e expulsaram os embaixadores sírios dos seis países do grupo.

Em meio às reações da comunidade internacional, o presidente sírio, Bashar al-Assad, assegurou nesta terça-feira que está pronto para "cooperar" com todos os esforços pela estabilidade no país, durante uma reunião em Damasco com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, segundo a agência de notícias oficial Sana.

Assad reiterou, de acordo com a agência, que "a Síria cumpriu o plano da Liga Árabe adotado no dia 2 de novembro" para pôr fim à crise. "A Síria cooperou plenamente com a missão de observadores árabes, apesar dos obstáculos impostos por alguns países árabes para entravar a missão", prosseguiu.

A Liga Árabe suspendeu na semana passada a sua missão de observação, denunciando o aumento da violência, que já deixou, segundo os militantes, mais de 6 mil mortos desde o início da revolta contra o regime do presidente Assad, em março de 2011.

Os ministros árabes das Relações Exteriores vão se reunir no dia 11 de fevereiro no Cairo para analisar o futuro desta missão.

Lavrov declarou em Damasco que teve uma reunião "muito útil" com o presidente Assad, que prometeu a ele "pôr fim à violência de onde quer que venha". O chefe da diplomacia russa acrescentou que Assad anunciará em breve o calendário de um referendo sobre uma nova constituição.

Os Estados Unidos, contudo, manifestaram ceticismo em relação às promessas feitas Assad. Em entrevista coletiva, a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Victoria Nuland, criticou as novas promessas de reformas democráticas.

"Vocês compreendem por que a comunidade internacional em seu conjunto está muito cética quando vemos que, em vez de tentar pôr fim à violência, Assad repete as mesmas propostas que faz há meses e meses e meses", declarou Nuland.

Saída alternativa

O ministro russo de Relações Exteriores, Sergei Lavrov, que vetou, junto com a Pequim, a resolução do Conselho de Segurança da ONU contra a Síria neste sábado 4, disse que a raiva dos países ocidentais e árabes contra o veto de Moscou é “histérica”. Ele chegou a Damasco nesta terça-feira 7, para negociações com o presidente Bashar al-Assad, em meio a temores de que o Exército esteja prestes a invadir a cidade rebelde de Homs.

Centenas de pessoas morreram em Homs desde sexta-feira 3, segundo ativistas e testemunhas, e a cidade – bastião da insurgência contra Assad – amanheceu sob ataques pesados com barragens de artilharia nesta terça-feira 7.

Desde o início da revolta popular, ao menos 400 crianças morreram na Síria, anunciou nesta terça-feira Marixie Mercado, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O gabinete de Lavrov disse que o ministro foi a Damasco porque Moscou busca “a mais rápida estabilização da situação na Síria”.

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA Victoria Nuland exortou Lavrov a “usar essa oportunidade para deixar totalmente claro para o regime de Assad o quão isolado ele está, e para encorajar Assad e seus aliados a usarem o plano da Liga Árabe e permitir uma transição”.

A Rússia é a principal fornecedora de armas para Damasco. O porto sírio de Tartus abriga a única base naval russa no Mediterrâneo.

Ataque por terra

Forças do governo vêm atacando desde sexta-feira, com barragens de artilharia, o bastião rebelde de Homs. Testemunhas e ativistas dizem que centenas de pessoas morreram na cidade – 95 delas na segunda-feira.

O repórter da BBC Paul Wood – um dos poucos jornalistas estrangeiros em Homs – diz que o Exército sírio começou a bombardear a cidade por volta das 6h (2h hora Brasília) desta terça-feira. Segundo Wood, os moradores de Homs temem que o Exército esteja planejando um ataque por terra à cidade.

O governo sírio – que vem combatendo uma onda de revolta contra o regime de Assad desde março – diz estar lutando contra gangues armadas apoiadas por estrangeiros. No entanto, milhares de soldados desertaram e passaram para o lado rebelde, formando o Exército da Síria Livre.

O ativista Mohammed al-Hassan disse em Homs que o bombardeio desta terça-feira foi mais focado no bairro de Baba Amr, onde grande parte da insurgência armada se concentra.

“Não há eletricidade e todas as linhas de comunicação com a vizinhança foram cortadas”, disse ele.

Com informações AFP.

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