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De olho na ONU, Argentina frustra tucanos anti-Dilma

por André Barrocal publicado 24/03/2016 18h46, última modificação 25/03/2016 02h17
Governo Macri defende mandato de Dilma e nomeação de Lula. Chanceler pode concorrer à ONU
Roberto Stuckert Filho / PR
Mauricio Macri e Dilma Rousseff

Macri e Dilma em Buenos Aires, em dezembro: pragmatismo

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, tem afinidades com o PSDB, principal líder da oposição. Com suas medidas econômicas neoliberais e antipatia pelos governos progressistas da América do Sul, costuma ser citado por tucanos como exemplo do que deveria ser em um Brasil sem Dilma Rousseff e o PT. Ele tem sido, porém, um frustrante aliado na batalha do impeachment.

Em gestos e manifestações recentes, Macri e sua ministra das Relações Exteriores, Susana Malcorra, têm sido, por ora, mais úteis a Dilma do que à oposição. O motivo desta postura seria, conforme apurou CartaCapital, a necessidade argentina de não brigar com vizinhos sul-americanos para ter o apoio deles para disputar o cargo de secretário-geral das Nações Unidas.

O mandato do atual secretário, Ban Ki-moon, termina no fim deste ano. Suzana Malcorra era chefe de gabinete dele até assumir a chancelaria de Macri, em dezembro, e é potencial candidata ao comando da ONU, caso a Argentina leve adiante seus planos de tentar dirigir o organismo.

Entre os gestos favoráveis a Dilma feitos diretamente por Macri destacam-se dois. Em fevereiro, ele recusou-se a receber uma delegação tucana em Buenos Aires. Viajaram até lá o presidente do PSDB, Aécio Neves, o senador Aloysio Nunes Ferreira, presidente da Comissão de Relações Exteriores, e Ricardo Ferraço, ex-dirigente da mesma comissão.

Em entrevista ao jornal argentino La Nacion no domingo 21, Macri mostrou compreensão diante da decisão de Dilma de nomear o ex-presidente Lula para o ministério. “Quero crer que ela o fez para fortalecer seu governo do ponto de vista operacional, não para cumprir uma causa judicial. Desde esse ponto de vista, é absolutamente válido. Agora, não cabe a segunda intenção, que não me consta.”

A nomeação gerou polêmica e uma guerra jurídica por despertar acusações de que só foi feita para evitar que as investigações sobre o patrimônio e o instituto do ex-presidente ficassem na alçada do juiz Sergio Moro, comandante da Operação Lava Jato na primeira instância. Uma versão que os próprios tucanos reconhecem não ser de todo verdadeira.

“Acho até, se me permite uma diferenciação, que a motivação inicial não foi a motivação de proteger o Lula do ponto de vista jurídico. A motivação inicial foi de dar um fôlego para o governo, até para enfrentar, na Câmara dos Deputados, o processo de impeachment”, disse o senador paulista José Serra no plenário do Senado no dia 17.

A chanceler Malcorra também se comportou de forma mais útil ao governo brasileiro. Disse que “há um apoio institucional” do governo Macri a Dilma. Afirmou mais: devido à cláusula democrática do Mercosul, o Brasil poderia até ser suspenso do bloco. Uma exclusão que, vale ressaltar, seria do agrado de muitos tucanos, os quais vêem o Mercosul como inútil.