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Internacional

Tensão na Ásia

Coreia do Norte desafia o mundo com novo teste nuclear

por AFP — publicado 12/02/2013 09h52, última modificação 12/02/2013 15h01
A agência oficial de notícias em Pyongyang confirmou a realização de um teste nuclear mais poderoso do que os anteriores. Conselho de Segurança da ONU condena firmemente o teste e promete novas sanções

A Coreia do Norte confirmou nesta terça-feira 12 que realizou com êxito seu terceiro e mais potente teste nuclear, utilizando um artefato "miniaturizado", em um gesto que provocou reações imediatas de condenação de grande parte da comunidade internacional.

O governo do fechado regime comunista afirmou que o teste é uma resposta à "hostilidade" dos Estados Unidos, seu inimigo declarado.

"Confirmou-se que o teste nuclear foi realizado em alto nível e de forma segura e perfeita", afirmou a agência estatal KCNA. De acordo com a nota, o teste nuclear usou "um dispositivo nuclear em miniatura, mais leve com maior força explosiva e que não causou danos ao meio ambiente", disse a KCNA.

Em uma reunião de emergência, nesta terça-feira 12, o Conselho de Segurança da ONU declarou que "condena firmemente" a Coreia do Norte por seu terceiro teste nuclear, e anunciou que iniciará imediatamente as negociações sobre novas medidas contra Pyongyang.

A explosão foi uma "clara ameaça à paz internacional e à segurança", afirmou o ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Kim Sung-Hwan, na leitura da declaração do Conselho, que se reuniu a portas fechadas.

Por sua vez, a embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice, disse que a Coreia do Norte irá enfrentar "um isolamento e pressões crescentes" devido a este teste nuclear e que o Conselho de Segurança iniciará imediatamente conversações para impor novas sanções.

Capacidade nuclear

A informação que mais causa alarme na comunidade internacional é o uso de um dispositivo "miniaturizado", o que, em outras palavras, indica que o governo norte-coreano alcançou um nível de tecnologia suficiente para fabricar um artefato nuclear que poderia ser instalado em um míssil de longo alcance.

Em dezembro, Pyongyang executou um teste de lançamento de foguete para colocar um satélite em órbita, ação que demonstrou os avanços norte-coreanos na área da tecnologia de mísseis.

Na área técnica, analistas tentam descobrir agora se a Coreia do Norte utilizou parte de suas escassas reservas de plutônio ou se utilizou urânio em uma nova opção de desenvolvimento para detonações atômicas.

De acordo com uma fonte do ministério da Defesa da Coreia do Sul, a explosão desta terça-feira 12 teve uma potência de seis a sete quilotons, aproximadamente a metade do que foi utilizado pelos Estados Unidos na cidade japonesa de Hiroshima em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial.

Também de acordo com fontes sul-coreanas, o primeiro teste nuclear norte-coreano, em 2006, teve potência de menos de um quiloton e muitos cientistas o consideraram um fracasso. O teste de 2009, no entanto, usou de dois a seis quilotons.

A Coreia do Norte anunciou que estava enriquecendo urânio em 2010, quando permitiu a visita de especialistas estrangeiros a um complexo nuclear de Yongbyon. No entanto, muitos analistas acreditam que o país comunista fabrica armas de urânio enriquecido há muito tempo em outras instalações secretas.

Retaliações
Horas após o anúncio do teste nuclear norte-coreano, a comunidade internacional já se unia em críticas e preocupações em relação ao regime comunista norte-coreano, liderado por Kim Jong-il.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu uma resposta rápida da comunidade internacional a um teste nuclear que chamou de "provocação". Enquanto o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou o teste "profundamente desestabilizador".

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, declarou que o teste nuclear norte-coreano era "extremamente lamentável" e uma ameaça grave para a segurança japonesa.

Já o vizinho e principal aliado do regime de Pyongyang, o governo chinês reiterou a "firme oposição" ao teste nuclear norte-coreano em um comunicado do ministério das Relações Exteriores, que não utiliza a palavra "condenação". No comunicado, a China defende o fim dos programas nucleares na península e estimula Pyongyang a "não levar adiante nenhuma ação que agrave a situação".

Também defende a retomada das negociações multilaterais (entre as duas Coreias, Rússia, China, Estados Unidos e Japão) sobre o programa nuclear de Pyongyang. Washington, aliado da Coreia do Sul e Japão, reiterou que manterá a vigilância e os compromissos de defesa com os aliados na Ásia.

A Rússia, por outro lado, pediu à Coreia do Norte o fim das atividades ilegais e o respeito a todas as diretrizes do Conselho de Segurança da ONU.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) destacou que o país violou as resoluções das Nações Unidas ao executar o teste nuclear. "Isto é lamentável e uma clara violação", afirmou Yukiya Amano, diretor da AIEA. A União Europeia (UE) condenou o teste norte-coreano, que chamou de "desafio flagrante" ao regime global de não proliferação e violação das obrigações internacionais de Pyongyang. Mais firmes, os governos da Alemanha e da França defenderam novas sanções do Conselho de Segurança da ONU contra a Coreia do Norte.

A Coreia do Norte realizou testes com explosões nucleares em 2006 e 2009. A explosão desta terça-feira causou um terremoto de 5,1 graus que sacudiu o país às 11h58 locais.

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