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Internacional

Tensão no Pacífico

Coreia do Norte anuncia estado de guerra com Seul

por AFP — publicado 30/03/2013 12h11, última modificação 30/03/2013 12h11
O líder norte-coreano, Kim Jong-un, ordenou o início dos preparativos para atacar com mísseis o território dos EUA e suas bases no Pacífico
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Multidões em Pyongyang em foto divulgada no dia 29 de março. Foto: ©afp.com / Kns

A Coreia do Norte anunciou neste sábado 30 que está em "estado de guerra" com a Coreia do Sul, uma nova ameaça levada a sério por Washington e minimizada por Seul, e que motivou um apelo urgente da Rússia por responsabilidade máxima das partes para evitar uma catástrofe.

"A partir de agora, as relações intercoreanas estão em estado de guerra e todas as questões entre as duas Coreias serão tratadas segundo o protocolo adaptado à guerra", declarou o governo da Coreia do Norte em um comunicado atribuído a todos os organismos oficiais.

"A situação que prevalece há muito tempo, segundo a qual a península coreana não está em guerra e nem em paz, acabou", afirmou o texto divulgado pela agência oficial de notícias norte-coreana, KCNA.

O comunicado também adverte que qualquer provocação militar próxima às fronteiras terrestres ou marítimas entre o Norte e o Sul levará a "um conflito em grande escala e a uma guerra nuclear".

O governo também ameaçou fechar o complexo industrial binacional com a Coreia do Sul da localidade de Kaesong, a 10 quilômetros da fronteira.

O anúncio de Pyongyang é a mais recente de uma série de ameaças da Coreia do Norte, recebidas com duras advertências pela Coreia do Sul e pelos Estados Unidos e que preocupam o mundo.

Na sexta-feira, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, ordenou o início dos preparativos para atacar com mísseis o território dos Estados Unidos e suas bases no Pacífico e na Coreia do Sul, em resposta aos voos de treinamento de bombardeiros furtivos americanos B-2.

Em caso de provocação imprudente dos Estados Unidos, as forças norte-coreanas "deverão atacar sem piedade o (território) continental americano (...), as bases militares do Pacífico, incluindo Havaí e Guam, e as que se encontram na Coreia do Sul", declarou Kim, citado pela agência oficial.

Os Estados Unidos declararam imediatamente que levavam a sério estas novas ameaças.

"Vimos as informações sobre uma nova declaração não construtiva da Coreia do Norte. Levamos estas ameaças a sério e estamos em contato direto com nosso aliado sul-coreano", disse Caitlin Hayden, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, na Casa Branca.

Por sua vez, a Rússia pediu neste sábado responsabilidade máxima e moderação das partes na península coreana para evitar que a escalada de tensões se torne um conflito armado.

"Esperamos que todas as partes mostrem responsabilidade máxima e moderação, e que ninguém cruze uma linha depois da qual não seja possível voltar atrás", disse Grigory Logvinov, responsável pela península coreana na chancelaria russa, citado pela agência Interfax.

"Naturalmente, não podemos permanecer indiferentes quando uma escalada de tensões ocorre em nossa fronteira oriental", disse o diplomata. "Estamos preocupados", acrescentou.

Em Seul, o ministério de Unificação disse que as ameaças do Norte não são novas, e sim "mais um elemento em uma série de ameaças provocadoras".

Já o ministério da Defesa sul-coreano indicou que não era observado nenhum movimento de tropas norte-coreanas perto das fronteiras.

A China pediu na sexta-feira às partes interessadas "que façam esforços coletivos para resolver a situação". "A paz e a estabilidade na península coreana são benéficas para todos", declarou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês, Hong Lei.

Tecnicamente, as duas Coreias seguem em guerra desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), que terminou com um armistício, e não com um tratado de paz.

A anulação do cessar-fogo abre, teoricamente, o caminho para uma retomada das hostilidades, mas, segundo os observadores, esta não é a primeira vez que a Coreia do Norte anuncia o fim do armistício.

O armistício foi aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, e a ONU e a Coreia do Sul rejeitam uma retirada unilateral deste acordo por parte do Norte.

Na quinta-feira, em um contexto de escalada de tensões, dois bombardeiros furtivos B-2 sobrevoaram a Coreia do Sul, uma maneira de os Estados Unidos ressaltarem sua aliança militar com Seul em caso de agressão do Norte.

Pouco depois, o secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, disse que os Estados Unidos estavam preparados para enfrentar qualquer eventualidade.

 

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