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Internacional

Relatório do SIPRI

Brasil é o 21º país que mais exporta armamentos

por Gabriel Bonis publicado 17/03/2013 20h57, última modificação 17/03/2013 21h08
Vendas do País são impulsionadas principalmente pela Embraer, mas governo tenta fortalecer outros setores da indústria de defesa nacional

O Brasil subiu dez posições na lista dos países que mais exportaram armas convencionais (aviões de combate, tanques, veículos armados, helicópteros, artilharia, mísseis, entre outros) entre 2008 e 2012. No período, as exportações nacionais no setor aumentaram 167%, na comparação com o período de 2003-2007. Com isso, o País passou de 31º maior exportador, para 21º, segundo relatório do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), publicado na noite deste domingo 17, ao qual CartaCapital teve acesso com exclusividade no Brasil.

É o maior resultado desde o período de 1984 a 1988, quando o País ocupava o 13º lugar, se beneficiando de massivas exportações para Irã e Iraque, que estavam em guerra entre si. Somente para o governo iraquiano, o Brasil vendeu diversos tipos de tanques e 80 aviões Tucanos, com contrato de ao menos 500 milhões de dólares em valores da época.

O aumento significativo das exportações brasileiras nos últimos cinco anos não espanta Mark Bromley, pesquisador do SIPRI e especialista em América Latina. “O Brasil é um dos países da América do Sul com uma indústria de defesa bem desenvolvida. Nos anos 80, era um significante ator global no mercado de armas e agora o governo quer recuperar parte deste espaço.”

No último quinquênio, o Brasil exportou armas convencionais para 15 países, sendo o maior comprador o Equador (55%). O país sul-americano importou 18 aviões de combate Super Tucanos, da Embraer, e outra aeronave de transporte de segunda mão. O segundo maior cliente foi o Chile (14%), com 12 Super Tucanos.

Os dados evidenciam que a exportação de aviões, principalmente da Embraer, impulsionaram o resultado brasileiro no ranking. Este tipo de produto responde por 81% das vendas de armamentos do país. A maioria deles é de Super Tucanos.

Aproveitando esse quadro, a Embraer figura em uma recente lista do SIPRI das 100 companhias produtoras de armas e serviços militares. No ranking, a empresa brasileira ficou na 81ª posição em 2011, contra o 95º lugar no ano anterior. “Os Super Tucanos são muito bem sucedidos no mercado global e preenchem um vazio para muitos países”, diz Bromley. “Houve também alguns outros acordos interessantes, como a venda de mísseis para a Indonésia, que indica um futuro com outros sistemas que podem ganhar maior espaço nas exportações.”

As vendas com o braço militar da Embraer representaram 17,1% da receita total da empresa. Segundo a Embraer Defesa & Segurança, o crescimento faz parte de uma estratégia de diversificação de negócios para oferecer soluções ao Brasil e outros países. “O Super Tucano é um avião capaz de cumprir um grande número de missões militares e está em operação em nove forças aéreas na América Latina, África e Sudeste Asiático”, destaca a empresa em nota a CartaCapital.

A Embraer Defesa & Segurança ainda ressalta a importância de exportar produtos de alto valor agregado para ajudar na balança comercial do País e de investir em tecnologia e engenharia de alta complexidade “dominadas apenas pelos países mais desenvolvidos do mundo”.

Além das aeronaves, as vendas de mísseis (7%), artilharia (4%) e veículos armados (3%) completam os principais produtos da indústria de defesa do Brasil no período, com um total de 384 negociações. Destas, 61% foram com a América Central e a América do Sul, seguido por Ásia e Oceania (17%) e Europa (13%).

Aumento das importações

O relatório do SIPRI também mostra um avanço brasileiro entre os que mais importaram armas convencionais. O volume de compras entre 2008 e 2012 subiu 78%. Com isso, o País passou da 34ª posição para a 27ª, com 1% das compras mundiais do setor. “Essas importações atendem à necessidade de modernização dos equipamentos nacionais”, afirma Gunther Rudzit, especialista em segurança e professor da Faculdade Rio Branco, de São Paulo.

O analista destaca também o foco do investimento para colocar em prática o plano das administrações de Lula e Dilma Rousseff de dar ao Brasil um papel de maior destaque no cenário internacional. “O Brasil faz campanha aberta por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. E isso vem com a percepção de que se não for um ator militar forte, não vai conseguir ser aceito.”

Segundo o SIPRI, o País comprou armas de 13 países nos últimos cinco anos. A Alemanha foi a maior fornecedora (69% do total) com a entrega de  220 tanques Leopardo-1A5 e 19 outros veículos armados. Todos de segunda-mão, mas modernizados.

Os EUA exportaram 21% das encomendas brasileiras, entre elas seis aviões de guerra anti-submarinos P-3A modernizados na Espanha e quatro helicópteros de guerra anti-submarino S-70B. A Rússia vem em terceiro (11%) com a entrega de 12 helicópteros de combate Mi-35M.

Ao todo, foram 1425 compras, somente de países europeus, EUA e Israel. Destas 560 se referiam a aeronaves (39% do total), 400 a veículos armados (28%) e 164 a mísseis (12%).

Ao realizar importações para suprir as necessidades nacionais, o Brasil tem investido em acordos com transferência de tecnologia, para que a própria indústria de defesa brasileira possa produzir estes itens e exportá-los no futuro. “Os maiores importadores do mundo, Índia, China e Coreia do Sul não querem apenas sistemas finalizados, mas acordos que lhes garantam transferência de tecnologia para que desenvolvam suas próprias indústrias de defesa. Alguns estão sendo bem sucedidos”, diz Paul Holtom, diretor do programa de transferências de armas do SIPRI.

No Brasil, afirma Bromley, o governo tem um exemplo de transferência neste sentido: a compra de veículos armados da Itália. O investimento deu ao País certo nível de licença de produção em território nacional. “Agora, esses veículos estão sendo exportados para a Argentina.”

Ainda assim, o País precisa produzir a maioria de suas inovações, defende Rudzit. “Neste aspecto, a Índia leva vantagem porque está em conflito e desenvolve sua capacidade militar há mais tempo. Por isso, consegue comprar mais barato porque não precisa de todos os sistemas. Transfere a tecnologia daquilo que ela não desenvolveu ainda. Nós já precisamos de tudo.”

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