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Ocidente x Wikileaks

Assange pede que EUA parem com 'caça às bruxas' e agradece ao Equador

por AFP — publicado 19/08/2012 12h15, última modificação 19/08/2012 12h15
Declarações demonstram que o australiano não tem a intenção de se render

LONDRES (AFP) - Em sua primeira aparição pública desde março, Julian Assange, refugiado há dois meses na embaixada equatoriana em Londres, pediu aos Estados Unidos que parem com a 'caça às bruxas' contra o WikiLeaks e agradeceu ao Equador por sua "coragem".

O fundador do WikiLeaks, vestido de forma elegante, pronunciou um discurso a partir da sacada da embaixada, onde se refugiou no dia 19 de junho, pouco acima das cabeças dos policiais britânicos que querem detê-lo. Se colocasse um pé para fora da legação, correria o risco de ser preso.

"Peço ao presidente (Barack) Obama que faça o certo, os Estados Unidos devem renunciar a sua caça às bruxas contra o WikiLeaks", afirmou o australiano, de 41 anos.

Assange aproveitou para agradecer ao presidente equatoriano, Rafael Correa, "pela valentia que demonstrou por levar em consideração e me conceder asilo político". Também teve palavras de agradecimento aos seus simpatizantes.

 

Minutos antes, seu advogado de defesa, o ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, havia dito que Assange está com espírito "combativo" e havia lhe pedido "que recorra à justiça para proteger os direitos do WikiLeaks, os seus próprios e os de todas as pessoas que são alvo de uma investigação".

Estas declarações demonstram que o australiano não tem a intenção de se render.

Para poder sair da embaixada e viajar ao Equador, Assange precisa de um salvo-conduto das autoridades britânicas, que já anunciaram que não o fornecerão.

Neste domingo, Garzón especificou que entrará com uma ação judicial sobre "diferentes pontos, em diferentes países, tanto sobre a situação financeira do WikiLeaks, os bloqueios injustificados que foram feito, assim como para reivindicar a concessão de um salvo-conduto".

A Suécia requer Assange por um suposto caso de agressão sexual e estupro, que ele nega. O australiano teme que o fato seja utilizado como desculpa para extraditá-lo aos Estados Unidos, para que responda por acusações de espionagem devido à divulgação em 2010 pelo WikiLeaks de centenas de milhares de documentos diplomáticos americanos.

O número 2 do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, assegurou neste domingo em declarações à AFP que se a Suécia se comprometesse a não extraditá-lo aos Estados Unidos, seria uma "boa base para negociar" uma saída pra Assange.

"Seria uma boa base para negociar, uma maneira de encerrar este assunto, se as autoridades suecas declarassem sem nenhuma reserva que Julian (Assange) nunca será extraditado da Suécia aos Estados Unidos", indicou o porta-voz.

"Posso assegurar que ele (Assange) quer responder às perguntas do promotor sueco há muito tempo, há quase dois anos", acrescentou Hrafnsson.

A Suécia reagiu rapidamente: "O suspeito não tem o privilégio de ditar suas condições". "Se o WikiLeaks quer dar uma mensagem deste tipo, deve fazê-lo conosco diretamente, de maneira convencional", disse um porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

"No estado atual das coisas, não podemos dizer o que vamos fazer", sustentou, embora tenha assegurado que "não extraditamos ninguém que corre o risco de (ser condenado à) pena de morte".

Em frente à embaixada equatoriana havia cerca de 50 simpatizantes de Assange, alguns com as máscaras do movimento Anonymous, cantando e gritando slogans contra as autoridades britânicas.

Meia centena de policiais protegia o edifício, perante o qual cerca de 300 jornalistas aguardavam.

No sábado em Guayaquil (Equador), os chanceleres e representantes de Estados da Alba, grupo integrado, entre outros, por Cuba, Venezuela e Nicarágua, apoiaram o governo de Correa, que denunciou que o Reino Unido ameaçou entrar em sua embaixada em Londres para deter Assange.

Também em Guayaquil está prevista neste domingo uma reunião de ministros das Relações Exteriores da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), enquanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião para o dia 24 de agosto em Washington.

 

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