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Argentina pede intervenção do Papa na disputa pelas Ilhas Malvinas

por AFP — publicado 18/03/2013 17h49, última modificação 18/03/2013 17h54
Em encontro com Francisco, Cristina Kirchner pediu mediação para discutir com o Reino Unido soberânia sobre o território

ROMA (AFP) - A presidente argentina, Cristina Kirchner, pediu nesta segunda-feira 18 "a intervenção" do Papa Francisco, seu compatriota, na disputa entre o seu país e a Grã-Bretanha pela soberania das Ilhas Malvinas.

"Eu pedi a mediação dele para iniciar um diálogo entre as duas partes", declarou Kirchner em Roma, após almoçar com o Papa, o ex-arcebispo de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio.

A presidente lembrou que o Papa João Paulo II também agiu como mediador entre o Chile e a Argentina para resolver tensões fronteiriças nas proximidades do canal de Beagle. "Agora temos uma oportunidade histórica muito diferente, muito mais favorável", declarou.

Segundo ela, a Grã-Bretanha e Argentina são democracias, ao contrário da Argentina e Chile dos anos de 1970. "A Argentina é um país mais que pacífico e, portanto, o que queremos é o cumprimento das múltiplas resoluções das Nações Unidas, sentar para dialogar."

Após a eleição de Bergoglio, a imprensa britânica trouxe à tona declarações feitas em 2011 pelo pontífice nas quais se referiu às ilhas como "nossas".

Os habitantes das Ilhas Malvinas, arquipélago que o Reino Unido chama de Falklands, votaram neste mês a favor de continuar como um Território Ultramarítmo Britânico, em um referendo não reconhecido pela Argentina.

O governo argentino considera que os malvinenses são uma população implantada desde que o Reino Unido tomou o controle em 1833 deste arquipélago do Atlântico Sul. As ilhas ficam a 400 quilômetros da costa argentina e a 12,7 mil de Londres.

Após a guerra travada pelos dois países pelo território em 1982, que terminou com a morte de 649 argentinos e 255 britânicos, a Argentina reclama a soberania e pede respeito às resoluções da ONU que desde 1965 chamam as partes ao diálogo. Mas a Grã Bretanha rejeita qualquer negociação, insistindo no direito de autodeterminação dos habitantes.

A iniciativa de Kirchner em falar do tema surpreendeu a todos na véspera da entronização do primeiro papa sul-americano. Por sua vez, o Vaticano não difundiu nenhum comunicado sobre o encontro entre os dois. O porta-voz da Santa Sé se limitou a citar uma reunião "muito informal" de 15 a 20 minutos "em privado".

Um Papa "sereno, seguro, em paz"

Francisco e Kirchner mantiveram um diálogo "frutífero", na Casa Santa Marta, residência provisória do Papa, explicou a presidente argentina. "Vi um homem sereno, seguro, em paz", disse .

O pontífice lhe deu uma rosa branca, "um presente íntimo, quase pessoal", declarou ela, que ofereceu uma cuia de chimarrão feita por cooperativistas argentinos e um poncho "para que se proteja do frio".

Kirchner e o antes arcebispo de Buenos Aires mantêm relações tensas e espera-se que este encontro sirva para aproximar as duas partes.

As divergências entre ambos começaram durante a presidência de seu marido, o falecido Néstor Kirchner, que não apreciava as críticas nas homilias do então arcebispo, que denunciava com frequência o escândalo da pobreza ou o flagelo da droga e do crime na Argentina.

Néstor Kirchner chegou a classificar Bergoglio de "verdadeiro líder da oposição". A relação ficou ainda mais tensa com a legalização, em 2010, do casamento homossexual na Argentina.

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