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Após gafe, José Mujica diz que ninguém separa argentinos e uruguaios

por AFP — publicado 05/04/2013 14h10, última modificação 06/06/2015 18h23
Presidente uruguaio chamou Cristina Kirchner de "velha" e seu falecido marido de "caolho" sem saber que seu áudio estava aberto em evento na quinta-feira
Mujica

O presidente do Uruguai, José Mujica. Foto: Claudio Santana/AFP

MONTEVIDÉU (AFP) - O presidente do Uruguai, José Mujica, disse nesta sexta-feira 5, que nada, nem ninguém, poderá separar argentinos e uruguaios. Ontem, o vazamento de algumas de suas declarações sobre a presidente argentina, Cristina Kirchner, causarem uma saia-justa diplomática.

Em um evento na quinta-feira 4, sem perceber que os microfones estavam abertos, Mujica comentava as relações com os países vizinhos, Brasil e Argentina, quando sustentou que "esta velha é pior que o caolho". A declaração foi interpretada como uma alusão a Cristina Kirchner e a seu falecido marido, Néstor Kirchner. "O caolho era mais político, essa é teimosa", disse.

Nesta sexta, após uma longa revisão do processo de independência do Rio da Prata e do vínculo histórico entre Uruguai e Argentina, Mujica sustentou em seu programa de rádio "Fala o presidente" que "embora a história tenha nos separado, nada nem ninguém pode dissolver nossa história".

"Pertencemos ao grupo destes povos e temos que andar bem com toda a humanidade, mas em primeiro lugar com os povos que nasceram na primeira matriz e nada nem ninguém poderá nos separar, definitivamente", concluiu.

 

Sarcasmo sobre o papa

No evento em que Mujica cometeu a gafe contra Kirchner, o uruguaio ainda lembrou o presente dado pela colega argentina ao papa Francisco após sua eleição. "Foi explicar a um Papa argentino, que já viveu 77 anos, o que é um mate e uma garrafa térmica?".

Uma hora após a divulgação de suas declarações, Mujica afirmou à edição na internet do jornal La República que "estava falando de Lula e do Brasil" e que publicamente não falou da Argentina. "Eu não vou dar bola nem vou percorrer o mundo esclarecendo nada. Que inventem os disparates que quiserem."

Mas as declarações foram divulgadas rapidamente pelos meios de comunicação e pelas redes sociais, e geraram uma dura resposta da chancelaria argentina. "A Argentina assinala que é inaceitável que comentários ultrajantes, que ofendem a memória de uma pessoa falecida, que não pode se defender, tenham sido realizados, particularmente, por alguém que Kirchner considerava seu amigo", indicou o chanceler argentino, Héctor Timerman, em nota de protesto.

O documento foi entregue ao embaixador do Uruguai em Buenos Aires.

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