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The Observer

Apesar do susto, a vitória ainda está perto de Obama

por The Observer — publicado 01/11/2012 09h27, última modificação 06/06/2015 19h23
Primeiro, não devemos descontar o histórico do presidente. Depois há a força dinâmica de sua operação de campanha
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Primeiro, não devemos descontar o histórico do presidente. Depois há a força dinâmica de sua operação de campanha

 Por Michael Cohen

Em 22 de setembro de 2012 o presidente Barack Obama teve, segundo a Pollster.com, sua maior vantagem em votos populares na campanha eleitoral para a presidência dos Estados Unidos, depois da temporada de convenções. Ele estava 4 pontos à frente nas pesquisas nacionais e tinha uma vantagem de 6 pontos no estado indeciso crucial de Ohio, uma vantagem estreita de 3 pontos na Flórida e de quase 4 na Virgínia.

O popular site de previsão de eleições fivethirtyeight.com previu que Obama tinha uma probabilidade de 77,5% de ganhar a eleição, número que chegaria a 87,1% em 4 de outubro. A melhora de Obama nos números de pesquisas não foi necessariamente tão surpreendente. Em 17 de setembro a revista liberal Mother Jones divulgou um vídeo devastador que mostrava o candidato republicano, Mitt Romney, desprezando os 47% do país que ele alegava serem "dependentes do governo" e que se recusavam, segundo disse, a assumir a "responsabilidade pessoal e cuidar de suas vidas".

O vídeo foi praticamente a confirmação de uma linha chave da campanha de Obama no ataque a Romney -- a de que ele era um homem rico sem empatia ou preocupação pelas dificuldades dos pobres e da classe trabalhadora. Como sugeriu um recente anúncio de Obama divulgado em Ohio, o vídeo parecia implicar que ele "não é um de nós".

Para muitos observadores políticos, a eleição estava longe de terminada; um candidato republicano defeituoso e menos que competente parecia simplesmente incapaz de tirar vantagem do mau desempenho econômico para desalojar um presidente relativamente impopular. Poucos analistas conseguiam ver como Romney poderia conter a hemorragia.

Então Obama e Romney se encontraram no primeiro debate presidencial de 2012 e tudo mudou -- pelo menos aparentemente. A imagem pública de Romney tinha sido tão atacada pelos anúncios negativos de Obama, que ele chegou ao debate precisando apenas de um desempenho ligeiramente melhor que a média para provocar uma reconsideração de sua candidatura. Romney superou essas expectativas, ao mesmo tempo que seu adversário se saiu muito pior que as suas.

Existe um padrão recorrente nos debates presidenciais de que um presidente no cargo, enferrujado por não ter debatido durante quatro anos, perde o primeiro encontro entre os candidatos. O desempenho de Obama teria sido ruim se ele tivesse apenas perdido; mas ele foi espancado (pelo menos foi essa a opinião dos comentaristas e defensores esbaforidos do presidente).

Os republicanos ficaram subitamente energizados sobre um candidato para o qual eles tinham até então pouca afeição, enquanto os democratas, em vez de se unirem em torno do presidente, se revezavam tentando encontrar maneiras novas e criativas de descrever a amplidão de sua derrota. Dias depois do debate, os números das pesquisas começaram a mudar drasticamente a favor de Romney. Em 9 de outubro, seis dias depois, Romney havia assumido a liderança na média de pesquisas nacionais da Pollster.com e na média de pesquisas da Real Clear Politics.

De repente parecia que uma corrida, que antes era considerada uma conclusão previsível, estava escapando das mãos do presidente. Mas não tão depressa. Assim que o ímpeto de Romney começou a subir, ele parou e a corrida simplesmente voltou à situação existente antes do debate; uma estreita vantagem de Obama na pesquisa nacional e uma mais significativa na avaliação do importantíssimo colégio eleitoral. Ela foi ajudada pelos desempenhos mais fortes de Obama nos debates posteriores, mas o elemento maior de sua vantagem contínua é uma combinação de Obama o presidente e Obama o político e das decisões que ele tomou usando os dois chapéus.

Primeiro há as decisões presidenciais. Quando os historiadores examinarem a presidência Obama -- não importa o que aconteça em 6 de novembro --, duas realizações legislativas parecerão maiores: a aprovação da abrangente reforma da saúde e a lei de estímulo aprovada em fevereiro de 2009 que salvou a economia de maiores calamidades.

Mas se o estímulo acabou tendo um impacto extraordinário, transformador e abrangente, é raro que seja mencionado diretamente na campanha de Obama. Em vez disso, o presidente tende a falar mais sobre uma decisão política muito menor, mas cujo impacto político foi maior -- o resgate da indústria automobilística americana.

Em estados indecisos chaves do centro-oeste, onde a manufatura ainda é o sangue vital da economia, o socorro quase certamente salvou a indústria de carros. Em nenhum lugar o resgate pagou mais dividendos políticos que em Ohio, estado que é de longe o mais importante em toda a eleição e onde um em cada oito empregos está ligado à indústria de automóveis. Ohio parece mais importante porque, apesar de ter o sétimo número de votos no colégio eleitoral dos EUA, se Obama vencer lá, juntamente com Wisconsin e Nevada -- dois estados onde ele atualmente lidera as pesquisas públicas --, virtualmente não há possibilidade de que perca a eleição.

Obama constantemente liderou em Ohio. É sua barreira corta-fogo de campanha. Sua vantagem lá vem não apenas do socorro às automotivas, mas também do fato de ele ter dedicado um tempo e uma energia enormes ao estado, tanto nas numerosas visitas como na abertura de 131 escritórios de campanha, três vezes mais que Romney.

Esta é a segunda chave do provável sucesso de Obama no dia da eleição -- sua infraestrutura de campanha. Em 2008, a campanha de Obama tomou a decisão de utilizar seus vastos recursos para construir o melhor campo de jogo e a melhor operação "saia para votar" já vista na política americana. Eles tiveram êxito e, segundo um cientista político, podem ter, através de seus esforços de campanha, movido três estados para sua coluna no dia da eleição.

A infraestrutura de Obama parece melhor este ano. Não apenas os cabos eleitorais do presidente desenvolveram técnicas sofisticadas movidas a dados para identificar os apoiadores, entrando em contato com eles e garantindo que vão às urnas, como abriram centenas de escritórios de campanha por todo o país -- quase exclusivamente nos estados oscilantes -- e contrataram centenas de funcionários pagos para equipá-los.

O jogo republicano melhorou drasticamente desde o fracassado esforço de McCain em 2008, mas poucos observadores políticos acreditam que ele possa enfrentar o de Obama. Além da vantagem em escritórios que Obama tem em Ohio, ele tem uma vantagem de quase 2 para 1 em praticamente todos os outros estados indecisos. Enquanto o número de seus escritórios não é a história toda, fornece uma pista de quão significativo foi o investimento que Obama fez em sua infraestrutura de campanha, e numa corrida apertada essa infraestrutura pode fazer toda a diferença.

Ainda é difícil prever com certeza o que acontecerá no dia da eleição. Mas a cada dia fica mais difícil imaginar um cenário em que Barack Obama não seja reeleito presidente. E se ele vencer será em grande medida porque, para usar uma frase popularizada pelos republicanos, "ele construiu isso".

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