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Síria

Antes que seja tarde, EUA voltam a apoiar rebeldes sírios

por José Antonio Lima publicado 28/02/2013 12h13, última modificação 28/02/2013 12h22
Washington vai dar auxílio direto à oposição e pode entregar veículos e outros equipamentos aos grupos que combatem Assad

 

Após dois anos de conflito, que produziu 70 mil mortes, 940 mil refugiados e 2,5 milhões de refugiados internos, o governo dos Estados Unidos parece finalmente engajado em apoiar os rebeldes sírios que tentam derrubar o governo de Bashar al-Assad. Nesta quinta-feira 28, em reunião do grupo Amigos da Síria, em Roma, na Itália, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, revelou a nova postura de seu governo, afirmando que ela é necessária pois Assad está determinado a ampliar os ataques contra os civis. Na realidade, a intenção norte-americana é se aliar firmemente ao comando rebelde antes que Assad seja derrubado sem a ajuda dos EUA e Washington perca influência no país árabe.

O novo auxílio dos EUA aos rebeldes sírios é significativa. Washington passará a enviar suprimentos médicos e alimentícios diretamente à coalizão oposicionista síria. Até aqui, os EUA gastaram 365 milhões de dólares em ajuda humanitária, que era repassada a terceiros e, então, entregue à população síria. Os EUA também darão 60 milhões de dólares aos oposicionistas para que a coalizão possa prover serviços de educação e sanitários à população local, numa tentativa de promover a estabilização das áreas já controladas pelos rebeldes. O temor norte-americano é que  organizações extremistas, como o Jabhat al-Nusra, filiado à rede terrorista Al-Qaeda, aproveitem o vácuo de poder para estabelecer domínio sobre território que, posteriormente, possa servir de base para ataques contra o Ocidente.

Soma-se a isso o treinamento de tropas sírias por militares norte-americanos que, segundo o jornal The New York Times, já está em curso em uma base local não revelada. Os EUA devem, ainda segundo o NYT, tornar mais abrangente o conceito de "ajuda não-letal" e podem entregar veículos, blindagem e visores de visão noturna aos rebeldes. Países europeus, como o Reino Unido e a França, devem seguir o mesmo caminho. William Hague, o ministro do Exterior do Reino Unido, afirmou pelo Twitter que seu governo também vai ampliar a ajuda. Giulio Terzi, chanceler da Itália, foi na mesma linha. "Precisamos ir além dos esforços que estamos fazendo agora, não podemos deixar que este massacre continue".

Há uma forte pressão dos rebeldes sírios e de seus principais aliados regionais para que a Europa e os EUA providenciam mais ajuda. Segundo relato do jornal pan-árabe Asharq Al-Awsat, Moaz al-Khatib, o líder da oposição síria, teria ameaçado boicotar a reunião desta quinta-feira em Roma devido à falta de auxílio. Khatib só foi convencido após Kerry e o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, confirmarem mais ajuda. Ao jornalista Jonathan Rugman, correspondente do Canal 4 do Reino Unido, o ministro do Exterior da Arábia Saudita, Saud al-Faisal, afirmou que a Europa "deveria estar armando os rebeldes sírios e que os sauditas estão dando todo o apoio possível".

O anúncio de mais apoio das potências ocidentais aos rebeldes sírios revela o entendimento que elas têm do conflito. Está claro que Assad, ainda apoiado por Rússia, Irã e pelo grupo libanês xiita Hezbollah, não vai desistir. Sua resistência, no entanto, não tem como durar para sempre. Há algumas análises segundo as quais o regime teria capacidade para defender sua existência por mais 18 meses. Quando o governo Assad cair, a Síria terá duas grandes forças políticas. Os liberais e religiosos moderados unidos na Coalizão Nacional de Oposição e os grupos extremistas, que hoje lutam contra Assad mas que, posteriormente, estarão prontos a usar seu fundamentalismo religioso contra os EUA e a Europa. O Ocidente deseja ver o primeiro grupo sobressair e, desde que não precise envolver seus próprios homens, não vai poupar esforços para isso.

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