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Narcotráfico

Na ONU, América Latina pede mudança na luta contra drogas

por AFP — publicado 27/09/2012 10h50, última modificação 06/06/2015 18h29
Presidentes disseram que os resultados da luta contra o narcotráfico são duvidosos e só serviram para gerar violência na região
ONU

O presidente colombiano Juan Manuel Santos discursa na Assembleia Geral da ONU em 26 de setembro. Foto: ©AFP / stan honda

NOVA YORK (AFP) - Vários presidentes latino-americanos se uniram na quarta-feira 26, na Assembleia Geral das Nações Unidas, para pedir a revisão da atual estratégia de combate às drogas, cujos resultados são cada vez mais questionados.

"Cinquenta anos já são suficientes para se poder avaliar claramente o que fizemos e entender que não obtivemos os resultados esperados", destacou o presidente da Guatemala, Otto Pérez, sintetizando o sentimento de muitos líderes da região. "A premissa da nossa luta contra as drogas tem mostrado sérias falhas, e não foi possível erradicar o consumo de drogas no mundo", acrescentou Pérez, que propõe a descriminalização das drogas. "Não se trata de baixar a guarda e abandonar a luta" contra o crime, destacou Otto Pérez.

Segundo dados oficiais dos EUA, 90% da droga enviada da América do Sul aos Estados Unidos passa pela América Central, o que converteu a região na mais violenta do planeta.

O México, que utiliza as Forças Armadas contra os cartéis das drogas, é um dos países mais afetados pela violência do narcotráfico, com mais de 60 mil mortos nos últimos seis anos. A Colômbia, que junto ao Peru é o principal produtor de cocaína do planeta, com 345 toneladas em 2011, também sofre com a violência ligada às drogas.

O presidente mexicano, Felipe Calderón, um dos líderes mais destacados do combate frontal ao narcotráfico, desafiou a ONU a liderar uma discussão aberta sobre a questão. "Exijo das Nações Unidas não apenas que participe, mas que lidere uma discussão à altura do século XXI, sem preconceitos, e que leve a todos a encontrar soluções com enfoques novos e eficientes".

A ONU "deve examinar com honestidade, com rigor acadêmico e responsabilidade global quais podem ser estas alternativas, especialmente alternativas regulatórias e de mercado, que nos permitam saber se são realmente ou não alternativas", disse Calderón, acrescentando que o "enfoque repressor" produz enormes somas em dinheiro para os criminosos.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, concordou que "é preciso determinar sobre bases objetivas, bases científicas, se estamos fazendo o melhor que podemos ou se existem melhores opções para combater este flagelo". Santos lembrou que os líderes da região pediram à Organização dos Estados Americanos (OEA) uma análise desta problemática que tanto afeta a Colômbia. "É apenas um primeiro passo, mas de grande importância. É o início de uma decisão que o mundo tem evitado durante muitos anos e esperamos que no final surjam resultados concretos".

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