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Al-Qaeda está por trás dos atentados na Síria, diz Rússia

por AFP — publicado 14/05/2012 12h22, última modificação 06/06/2015 18h59
A possível chegada da Al Qaeda à Síria complica ainda mais as negociações entre o governo e os rebeldes
Um duplo atentado suicida em Damasco na semana passada deixou 55 mortos e 372 feridos.Foto: AFP/SANA

Um duplo atentado suicida em Damasco na semana passada deixou 55 mortos e 372 feridos.Foto: AFP/SANA

Principal aliado da Síria, o governo da Rússia afirmou nesta segunda-feira 14 que os recentes atentados contra o país árabe foram organizados por membros da rede terrorista Al Qaeda. Na semana passada, um duplo atentado suicida em Damasco deixou 55 mortos e 372 feridos, suscitando temores de que elementos extremistas estejam aproveitando a crise na Síria para provocar mais violência. Durante o levante contra o ditador Bashar al-Assad, alguns pequenos atentados foram registrados, mas nenhum com as características do ataque da semana passada: com alta potência e de forma simultânea, duas marcas registradas da Al Qaeda.

A afirmação sobre a infiltração da Al Qaeda foi feita pelo vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Gennady Gatilov. "Para nós, é absolutamente claro que os grupos terroristas estão por trás de tudo isto, a Al-Qaeda e os grupos que operam com a Al-Qaeda", disse. A possível chegada da Al Qaeda no contexto do conflito entre o governo sírio e os rebeldes da oposição é um elemento preocupante que poderá mergulhar a Síria em mais violência, como foi o caso no Iraque depois da invasão americana, em 2003, segundo analistas.

O caso é que ainda não é possível saber se a Al Qaeda está ou não presente na Síria. O atentado da semana passada não foi reivindicado por nenhum grupo, o que abriu espaço para que rebeldes culpassem o próprio governo Assad pelo ataque. Para Assad, o fato, ou a possibilidade, de que a Al-Qaeda esteja presente na Síria pode ser positivo. Desde o início do levante, ele vem batendo na tecla de são "terroristas" e não civis rebelados seus agressores. Até o atentado da semana passada, essas falas de Assad não passavam de bravata. Agora, o contexto pode estar mesmo modificado.

O resultado imediato dos atentados é um distanciamento ainda maior entre o regime Assad e seus opositores. Atualmente, as Nações Unidas e a Liga Árabe tentam, por meio do enviado especial Kofi Annan, firmar um acordo de paz entre as duas partes. Gatilov, cujo país resistiu a todas as pressões do Ocidente adotar uma posição mais dura em relação a Damasco, acrescentou que, em tais circunstâncias, é pouco provável o início de negociações entre governo e oposição. "É difícil dizer como as coisas vão evoluir a partir de agora. De imediato, a perspectiva de ver as partes sentarem-se à mesa de negociações não é visível", destacou Gatilov

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