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Internacional

A fúria do mundo árabe

Al-Qaeda convoca muçulmanos a atacar embaixadas dos EUA

por AFP — publicado 16/09/2012 08h37, última modificação 16/09/2012 08h45
'Façamos da expulsão das embaixadas uma etapa da libertação das terras árabes da arrogância americanas', pede o grupo
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Manifestantes protestam com uma bandeira da Al-Qaeda em um protesto em Benghazi, na Líbia, em 14 de setembro. Foto: AFP

DUBAI (AFP) - A rede terrorista Al-Qaeda convocou no sábado 14 os muçulmanos a seguir atacando as representações diplomáticas e interesses dos Estados Unidos em todo o mundo para protestar contra o filme que ridiculariza o profeta Maomé, no momento em que diminui a tensão após quatro dias de revolta.

A Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) afirmou que o ataque contra o consulado na cidade líbia de Benghazi - que matou o embaixador Chris Stevens e outros três funcionários americanos - foi motivado tanto pelo filme como pela morte do número dois do movimento, Abu Yahya al Libi, eliminado em junho em um ataque dos EUA no Paquistão.

"Façamos da expulsão das embaixadas e dos consulados uma etapa da libertação das terras árabes da hegemonia e da arrogância americanas", diz a AQPA em um comunicado na Internet monitorado pela rede de vigilância SITE.

Em outro comunicado, a AQPA afirma que "a morte do xeque Abu Yahya Al Libi (...) alentou o entusiasmo e a determinação (...) para vingar as ofensas e os ataques ao nosso profeta" Maomé.

Especialistas americanos em Inteligência concordam em que a manifestação contra o filme foi utilizada como "pretexto" para atacar o consulado dos Estados Unidos em Benghazi, que ficou sob fogo de armas pesadas durante algumas horas.

Diante dos ataques contra seus interesses, os Estados Unidos estão enviando forças militares à região e o secretário da Defesa, Leon Panetta, destacou que o país deve "estar preparado para a hipótese de as manifestações" saírem do controle.

Washington anunciou o envio de 100 fuzileiros navais à Líbia, onde o embaixador Chris Stevens e outros três funcionários morreram no ataque ao consulado em Benghazi, na terça-feira passada.

No Iêmen, quatro manifestantes morreram na quinta-feira durante um protesto diante da embaixada americana, mas o Parlamento iemenita rejeitou neste sábado a presença de militares americanos em seu território.

Washington planejava ainda o envio de 50 fuzileiros navais a Cartum, mas o Sudão também rejeitou o pedido americano.

O departamento americano de Estado determinou a saída de seu pessoal diplomático não essencial da Tunísia e do Sudão "devido à situação de segurança em Túnis e em Cartum", e emitiu uma advertência contra viagens de cidadãos americanos" aos dois países.

Ao menos quatro pessoas morreram e 49 ficaram feridas durante um violento protesto na sexta-feira diante da embaixada dos Estados Unidos em Túnis contra o filme "A Inocência dos Muçulmanos".

No Sudão, dois manifestantes morreram em incidentes ligados ao mesmo filme, que ridiculariza o profeta Maomé.

"A Inocência dos Muçulmanos", que mostra o profeta Maomé como imoral e brutal, provocou violentos protestos diante das representações diplomáticas dos Estados Unidos no Cairo e em Benghazi, que depois se espalharam a outros países.

Na sexta-feira, os protestos sacudiram Iraque, Irã, Iêmen, Egito, Síria, Marrocos, Argélia, Tunísia, Sudão e Líbano, além de vários países muçulmanos na Ásia, deixando ao menos onze manifestantes mortos.

Nesta sábado, não houve qualquer manifestação importante nas capitais árabes, e os protestos mais significativos ocorreram na Indonésia, Austrália, França e Bélgica.

Em Paris e Antuérpia, dezenas de pessoas foram detidas após confrontos com a polícia durante protestos.

No norte de Israel, centenas de árabes-israelenses se manifestaram, enquanto cerca 150 palestinos protestaram em Jerusalém Oriental.

Durante seu programa semanal de rádio, o presidente Barack Obama pediu ao povo americano que não se deixe abater pelas imagens de violência antiamericana no mundo islâmico, destacando sua confiança de que no final os ideais de liberdade dos Estados Unidos triunfarão.

O suposto produtor do filme, o cristão egípcio Nakula Besseley Nakula, foi levado a uma delegacia da polícia em Cerritos, ao sul de Los Angeles, neste sábado, para ser interrogado sobre se violou os termos de sua liberdade condicional.

Nakula foi condenado em 2010 a 21 meses de prisão por fraude bancária, mas saiu em liberdade condicional após cumprir um ano de pena.

"Compareceu à delegacia de Cerritos voluntariamente para falar com o supervisor da liberdade condicional (...) e não ficou detido", destacou um porta-voz da polícia.

Nakula teria colocado na Internet o "trailer" do filme que ridiculariza o profeta Maomé, mas segundo os termos de sua liberdade condicional, não tem permissão para utilizar a Web por cinco anos sem autorização prévia, sob o risco de voltar à prisão.

 

*Com informações da AFP Movil