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Internacional

Naufrágio do Titanic

A culpa foi do capitão, diz carta de sobrevivente

por Gabriel Bonis publicado 09/03/2012 16h26, última modificação 11/03/2012 09h21
Documento escrito por jovem, à época com 24 anos, sugere que Edward Smith estava bebendo momentos antes de o navio afundar, afirmação que vai de encontro à versão oficial
Titanic

Segundo carta de sobrevivente, capitão estaria bebendo na noite do acidente. Foto: Reprodução do filme Titanic

Quase cem anos após afundar na noite de 14 de abril de 1912, o Titanic ainda é cercado por polêmicas e mistérios. O último deles a ser revelado pode mudar a história do capitão Edward Smith, um dos personagens-chave do naufrágio mais famoso do mundo - retratado em um filme com bilheteria mundial superior a 1 bilhão de dólares e dono de 11 Oscar.

Ao menos é o que sugere uma carta de Emily Richards, sobrevivente do naufrágio acolhida a bordo do Carpathia, navio que resgatou pessoas dos botes salva-vidas.

A jovem, à época com 24 anos, escreveu para a sua sogra dois dias após o naufrágio, e disse que Smith estava no salão do bar do Titanic bebendo na noite da colisão. Os livros de história apontam uma versão diferente, na qual ele teria sido acordado em sua cabine quando o navio bateu em um iceberg e bravamente decidiu afundar com a embarcação.

 

 

Richards era passageira da segunda classe e viajava para encontrar o marido que havia imigrado para Ohio, nos Estados Unidos. Ela partiu de Southampton, na Inglaterra, para Nova York com os dois filhos, uma irmã, um irmão mais novo e sua mãe.

Após o navio bater em um iceberg, as mulheres da família e as crianças foram resgatadas por um bote salva-vidas, mas o irmão dela, George, foi uma das 1.522 vítimas do acidente.

Na carta escrita de Penzance, cidade portuária no Reino Unido, ela diz: “O Capitão estava no salão bebendo e deu ordem a outra pessoa para olhar o navio. Foi culpa do capitão”.

É sabido que Smith, de 62 anos, passou a noite do desastre em um jantar festivo no restaurante da primeira classe antes de retornar a sua cabine.

A jovem também escreveu uma segunda carta quando chegou a Nova York no Carpathia, que será leiloada juntamente com a outra por cerca de 20 mil libras (56 mil reais).

O leiloeiro Andrew Aldridge disse ao diário britânico Daily Mail que as emoções da passageira estavam à flor da pele, pois havia perdido um ente querido no acidente. “Ela precisava culpar alguém, e claramente escolheu o capitão.”

Segundo Aldridge, até onde se sabe, não há outras testemunhas que colocam o capitão no salão bebendo na noite do naufrágio. “É contraditório, mas não se pode que ela estava lá. Isso dá uma perspectiva bem diferente dos fatos daquela noite.”

Aldridge lembra que o capitão foi inocentado pelo inquérito britânico sobre o desastre e há inúmeros esclarecimentos em que ele escolheu morrer ao afundar com seu navio.

Teorias sobre o naufrágio

A versão oficial aponta que o impacto com o iceberg abriu um buraco no casco do navio e inundou seus cinco primeiros compartimentos de água, um a mais que o planejado para resistir.

Diversas teorias alternativas para o desastre ainda são debatidas. Uma delas defende que o navio afundou ao se chocar contra um bloco de gelo submerso e não em um iceberg.

Outra diz que as pilhas de carvão usadas para acelerar o navio entraram em combustão sem chama e os engenheiros se desesperaram e as jogaram no forno, levando o navio a acelerar a níveis perigosos em águas repletas de icebergs.

Há espaço também para versões mais criativas, como a de que o navio nunca afundou, pois teria sido trocado pelo seu irmão Olympic em um elaborado plano para burlar a seguradora.

Nesta alternativa, um ano antes o Olympic se envolveu em um acidente e não havia seguro para cobrir os custos do conserto. Logo, para evitar um prejuízo, o navio foi disfarçado de Titanic e deliberadamente afundado para que a empresa pudesse receber o seguro.

O Titanic real teria vivido por mais 25 anos como o irmão gêmeo.

O culpado mais inusitado pela tragédia, segundo outra versão do acidente, teria sido uma múmia amaldiçoada. Passada de dono a dono, ela traria má sorte para a quem estivesse com ela. Um jornalista trouxe o “item” escondido no navio e deu no que deu.