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Trump e o agronegócio brasileiro

Alguns não percebem que Tio Sam é muito mais concorrente do que cliente de Macunaíma
por Rui Daher publicado 24/03/2016 19h06, última modificação 25/03/2016 02h19
Donald Trump

Trump em West Palm Beach, Flórida: EUA importam pouco do Brasil

Volto à agropecuária que antes das porteiras das fazendas e depois delas é agronegócio. Se a empresa “Às Favas” vende sementes para o senhor Geraldo plantar chuchu e, depois de colhido, o produto é transformado em pasta condimentada pela empresa “Silabação Indústria e Comércio”, tudo aí foi agronegócio.

Faço questão de lembrar. Depois de quase dois anos aqui, ainda noto certa confusão. Os conterrâneos são loucos para demonizar pessoas e coisas. Agora mesmo com a democracia. Anjinhos amarelados que não respeitam votos e detestam rubros ameaçam desestabilizá-la.

Sei que esta coluna não terá repercussão igual à anterior, política. Vamos, pois, em leves tópicos. Quem sabe o leitorado nos conceda uns minutos de atenção fora do eixo “Gilmar Mendes” (Vice-Reino de Curitiba/Brasília).

Semana passada, comentei a existência de moscas voando em torno de Donald Trump. Não resistem às fezes, e acreditam que eleito presidente dos EUA o plastificado republicano ajudaria o Brasil.

Na parte que toca à nossa “ingrata” vocação cabocla, campesina, sertaneja e ruralista, isso é uma imbecilidade: Tio Sam é muito mais concorrente do que cliente de Macunaíma.

Vamos aos números para conforto dos adoradores de planilhas. Segundo a última edição (dados até 2013) de Intercâmbio Comercial do Agronegócio (do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), apenas 5% de nossas exportações agrícolas vão para os EUA. A China participa com 24%, a União Europeia com 21% e diversos países com os demais 50%.

Em 2013, o Brasil exportou US$ 86,6 bilhões e importou US$ 12,5 bilhões. Resultou um saldo positivo de US$ 74,1 bilhões. A participação americana no saldo foi de 3,5% e da China de 26,5%.

Do total de importações (US$ 12,5 bilhões), os itens mais significativos foram: trigo (EUA, Argentina, Canadá); bebidas alcoólicas (África do Sul, Chile, Japão, União Europeia); pescados congelados (Chile, Marrocos, Tailândia, Taiwan, Vietnã); óleo de palma e dendê (Colômbia, Indonésia, Malásia).

Uma divisão parecida com o perfil do País: “Pão, dendê e frescura”. Povo e elite excêntrica, se me entendem. Não? Dicas: 90% do que vêm da Rússia são Waffles; 50% do Egito, algodão especial para roupas de cama; 60% da Índia, de óleos essenciais.

Também alguns absurdos. Plantamos três safras de feijão por ano, mas é nossa maior pauta com a China. A explicação está em quem cultiva e como feijão no Brasil. Para o mercado interno e, na maioria, por assentamentos em subsistência e agricultura familiar com parco apoio técnico. 

Somente país tão óbvio para procurar ajuda com Donald Trump.  

Kátia Abreu e o PMDB

Fui muito execrado quando escrevi que Kátia Abreu poderia ser uma boa opção para o ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa). Não deixei de observar, porém, que sua opção pelo PMDB e cargo teriam vida curta e desejo longo. Seu objetivo sempre foi governar Tocantins.

Com o seu quarto partido prestes a romper com o governo, Kátia ensaia sair do PMDB, deixar o ministério, e voltar aos braços de Gilberto Kassab.

Nada fez de expressivo, além de jogar uma merecida taça de vinho no rosto de José Serra.

Safra 2016

Ihhhhhhh, curioso para ver como a turma dos agroquímicos, tóxicos ou não, irá justificar a queda de 22% (defensivos) e 7% (fertilizantes químicos) em consumos e vendas contra o crescimento da produção e da produtividade da próxima safra, conforme previsto por Conab e IBGE.

Estariam, antes, os campos usando e gastando mais do que o necessário? A conscientização dos agricultores em reduzir custosas aplicações associando-as a produtos mais baratos, de extrações orgânicas e naturais, ameaça seus mercados?

Cedo-lhes a corporativa palavra.

Previsões

Órgãos governamentais, consultorias do setor, e estas prazerosas Andanças Capitais, estimam safra com volume e valor recordes.

Deveremos colher 210 milhões de toneladas de grãos, 1,3% a mais do que em 2015. Mesmo com toda a crise, a área plantada crescerá 1% e o valor bruto da produção está estimado em R$ 515,2 bilhões. Bom demais.

E o milho, ah o mio, que este pobre escriba vive falando para nunca deixarem de investir, pois é carne. Reparem na capa da última Globo Rural: “A corrida do milho: demanda explode e faz preço disparar”.

Não é só. Há 20 dias as cotações do mercado futuro, em Nova York e Chicago, para café, soja e milho, não param de subir. O gráfico está assim: /

Alfinete

Já pensaram se má condução da economia desse impeachment? Durante os últimos 50 anos teríamos um presidente a cada ano.