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Paulo Daniel

Pernambuco falando para o mundo

por Paulo Daniel — publicado 13/01/2012 11h43, última modificação 13/01/2012 11h43
No século XX o Nordeste perdeu o trem da industrialização brasileira e empobreceu. Mas isso começa a mudar
nordeste

Após os programas sociais inflarem a renda, os investimentos em infraestrutura e novas fábricas mudam o cenário regional. Foto: Leo Caldas

No século XX o Nordeste perdeu o trem da industrialização brasileira e empobreceu. O Brasil virou um grande país industrial, com mais de 80% das indústrias no sudeste. No entanto, o nordeste que possui aproximadamente 30% da população brasileira, infelizmente, para alguns(as) que comandavam os eixos centrais da economia brasileira naquela época, deixaram de observar a região como um polo forte de  dinamismo econômico e, assim, não recebeu os investimentos necessários e importantes. Talvez, quem sabe, surja daí um tipo de preconceito contra o nordestino e contra os pobres.

No caso de Pernambuco, por ser uma das mais importantes economias do país e, por consequência, do nordeste, observou-se também esse “fenômeno” de ausência de investimentos, entretanto, nos últimos anos, ou seja, de 2000 em diante, a economia de Pernambuco, mesmo se defrontando com algumas limitações, vem apresentando um desempenho um pouco melhor em termos de crescimento relativo.

Comparando o crescimento estadual com o da economia brasileira, embora as taxas médias tenham ficado nos limites do crescimento raquítico observado no Brasil desde os anos 1980, ou seja, de 2,4% ao ano para Pernambuco e de 1,9% para o Brasil, no período 1999/2003. Esse melhor desempenho relativo tem a ver, entre outros fatores, com a atração de alguns investimentos para o Complexo Industrial Portuário de Suape, com a expansão da fruticultura irrigada do entorno do município de Petrolina e com a expansão das atividades têxteis e de confecções do Polo Caruaru/Toritama/Santa Cruz do Capibaribe.

Além disso, observou-se nos anos mais recentes uma recuperação da atividade álcool açucareira e um expressivo, embora localizado em Porto de Galinhas e em Recife e aquém do observado em outros Estados nordestinos, incremento do turismo. Merecem destaque em termos de crescimento no Estado a consolidação de atividades terciárias de comércio atacadista, de serviços de saúde e de informática, concentradas na RMR (Região Metropolitana do Recife). O complexo Suape, vale destacar, tem tido um papel importante nos últimos anos para a economia de Pernambuco ao proporcionar uma certa recuperação do papel de entreposto comercial do Estado agora pelo lado das importações.

Pela localização estratégica no Nordeste, Pernambuco tem se posicionado com vantagens para atrair investimentos em centrais de distribuição, por exemplo, afora o esforço de atrair para Suape projetos industriais com maiores conexões externas. Suape agrega uma multimodalidade de transportes, através de rodovias e ferrovias internas, aliadas a um porto de águas profundas com redes de abastecimento de água, energia elétrica, telecomunicações e gás natural instaladas em todo o complexo. Embora ainda aquém das expectativas e dos elevados investimentos ali realizados, o complexo Suape, mesmo ainda inconcluso, é hoje um dos principais trunfos, embora estes não sejam muitos, da economia pernambucana, que poderá ajudar a transformar sua base produtiva de forma mais consistente.

 

Entre os investimentos de maior dimensão previstos para se alojar em Suape encontram-se uma refinaria de petróleo, um estaleiro de grande porte, um pólo de poliéster, uma usina de regaseificação de gás natural e um terminal de granéis sólidos, estando os três primeiros em estágio mais avançado de viabilização.

Caso sejam confirmados, esses investimentos poderão atrair para Pernambuco outros projetos complementares e assim poderão ser preenchidos com maior abrangência os elos inexistentes das cadeias produtivas do Estado, com as repercussões favoráveis que lhes são associadas. As linhas gerais da política de desenvolvimento de Pernambuco parecem, assim, apontar na direção correta, abrangendo a atração de investimentos, a expansão da infraestrutura, a promoção de arranjos produtivos e o suporte às exportações etc.

Há que se ter em conta que tais investimentos estão sendo viabilizados em virtude de ações do setor público em termos de infraestrutura, onde o Complexo Suape destaca-se soberanamente. Para que se consolidem os projetos e suas repercussões positivas, há ainda que contar com um esforço grande do investimento estatal em infraestrutura econômica e social, bem como na capacitação da estrutura produtiva e sua integração com os novos projetos.

No que diz respeito aos impactos diferenciados que os projetos terão sobre as regiões do Estado, as políticas estaduais de desenvolvimento, principalmente a de incentivos fiscais, não discriminam a favor de espaços e sub-regiões menos desenvolvidos e com isso a RMR vem atraindo a maior parte dos projetos incentivados. Com o maior porte dos projetos ora discutidos, concentrados na RMR, esse desequilíbrio tenderá a ser reforçado, caso não sejam modificados os parâmetros básicos das políticas em curso.

Afora isso, numa outra linha de preocupação, a política de ocupação das cidades e o planejamento urbano carecem mais atenção para evitar a intensificação de ocupações desordenadas e carentes de infraestrutura.

Em que pese as mais variadas críticas, nesse momento de crise e, também, na sua ausência, Pernambuco nos ensina que o setor público é, e sempre será o grande comandante do processo de crescimento e desenvolvimento econômico, talvez o multiartista pernambucano, Antonio Nóbrega, tenha de certa forma, profetizado não muito tempo atrás, mais especificamente em 1998, em seu espetáculo e música, na qual concede título ao seu CD, Pernambuco falando para o mundo…