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Investimento em baixa emperra o PIB em 2012

por Gabriel Bonis publicado 01/03/2013 19h03, última modificação 01/03/2013 19h03
Com uma queda de 4% na formação bruta de capital, Brasil cresceu apenas 0,9% no último ano

O crescimento de apenas 0,9% do PIB em 2012, anunciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira 1º, foi provocado em grande parte pela queda de 4% no investimento. No último ano, essa taxa ficou em 18,1% do PIB, contra 19,3% de 2011. “Isso derrubou os resultados. Enquanto não destravar o investimento, o crescimento ficará prejudicado”, alerta Fernando Sarti, professor de economia da Unicamp.

O País gerou 4,4 trilhões de reais em riquezas, mas a taxa de crescimento é a pior desde 2009 (-0,33%), auge da crise mundial. Excluindo esse período, o resultado é o pior desde 1999, quando o PIB teve alta de apenas 0,25%. Em 2011, houve crescimento de 2,7% e, em 2010, de 7,5%.

As razões para a queda dos investimentos variam bastante entre os analistas. Vão desde a falta de demanda, a crise na Europa e até uma exagerada intervenção do governo federal na economia. Fabio Kanczuk, professor da USP, acredita, no entanto, que o motivo é mais pragmático. “Foi uma decisão industrial, não havia um aspecto negativo para não investir. Os empresários decidiram postergar, mas vão voltar a investir em 2013.”

Um indício deste cenário é a alta de 0,5% da Formação Bruta de Capital Fixo no quarto trimestre, após quatro trimestres seguidos de queda. Algo destacado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta sexta. “O que mostra esse baixo investimento [em máquinas, equipamentos e na construção civil] é a baixa venda de caminhões em 2012. A construção civil cresceu", ressaltou.

Mantega também minimizou o crescimento baixo do PIB e indicou uma aceleração gradual da economia que deverá ser mantida durante o ano. Ele estima um crescimento entre 3% e 4% para 2013. "O primeiro trimestre está se configurando bom. Tivemos um PIB mais fraco, abaixo das nossas expectativas, mas em uma trajetória positiva de aceleração. Mas o governo está criando condições para que o crescimento volte a patamares de 4%.”

      

Para atingir esse patamar, o retorno dos investimentos é apontado como fundamental. "O governo sinalizou a preocupação grande com ganhos de competitividade, redução de custos de folha e energia. Há ainda a perspectiva de aceleração da demanda e um incomodo menor das importações, que pode criar um clima mais favorável para o investimento industrial”, aponta Sarti.

Neste sentido, Mantega lembrou que o programa de concessões lançado pelo governo é uma oportunidade de investidores aumentarem a rentabilidade. “Oferecemos investimentos onde temos carência como portos, ferrovias e aeroportos. Não taxamos investimentos externos diretos e remessa de lucros e dividendos. Além disso, nós criamos debêntures especiais para infraestutura, que não pagam imposto de renda e não têm tributação.”

Resultados

Sob a ótica da produção, o crescimento do PIB foi sustentado pelo setor de serviços, que registou expansão de 1,7% no ano. A agropecuária teve queda de 2,3% e a indústria, de 0,8%. Os problemas da agricultura decorreram, segundo o IBGE, do fraco desempenho da pecuária e, principalmente, da queda de produção e perda de produtividade de várias das principais culturas da lavoura brasileira. As exceções foram o milho (alta de 27%) e o café (15,2%).

Em relação à demanda, houve crescimento no consumo das famílias (3,1%), o nono ano seguido, e no do governo (3,2%). O consumo das famílias foi favorecido, segundo o IBGE, pela elevação de 6,7% da massa salarial dos trabalhadores, em termos reais, e pelo acréscimo, em termos nominais, de 14% do saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas.

Com um peso de 60% no PIB, o desempenho positivo do consumo segurou o desemprego em baixa. “Quando há consumo, gera-se emprego, que provoca mais consumo. É um círculo virtuoso fechado no consumo, mas que não se sustenta no longo prazo. Para ter esse nível de emprego a longo prazo é preciso investimento”, diz Sarti.

BRICS

O crescimento econômico de 0,9% registrado pelo Brasil em 2012 foi o menor entre os países do Brics. A China teve o maior crescimento (7,8%), seguida pela Índia (5%), Rússia (3,4%) e África do Sul (2,5%).

O crescimento da economia brasileira também ficou abaixo da média mundial de 3,2%. O Japão (com alta de 1,9%), os Estados Unidos e a Coreia do Sul (ambos com 2,2%) também tiveram aumentos do PIB superiores ao do Brasil. O crescimento brasileiro se equiparou ao da Alemanha, mas foi superior ao da França (0,1%), Reino Unido (-0,1%), Espanha (-1,4%), Itália (-2,2%) e Portugal (-3,2%).

Com informações Agência Brasil.

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