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Economia

Gabriel Bonis

Sondagem CNI

25.01.2012 16:11

Indústria volta a mostrar sinais de desaquecimento em dezembro

Segundo a CNI, indústria registrou quedas na atividade, produção e nível de emprego em dezembro. Foto: Divulgação

A indústria brasileira voltou a apresentar sinais de desaquecimento e deve encerrar 2011 com quedas na atividade, produção e nível de emprego, além de estoques acumulados. O prognóstico negativo é da Sondagem Industrial de dezembro da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado na terça-feira 24.

Segundo o levantamento, o uso da capacidade instalada em dezembro foi de 42,6 pontos – índices acima de 50 indicam aumento na atividade, emprego e acúmulo de estoques indesejados -, o menor valor desde junho de 2009. Além disso, o setor trabalhou com apenas 71% de sua capacidade, quatro pontos percentuais abaixo do nível de novembro.

Um cenário que, segundo Júlio Sérgio Gomes de Almeida, doutor em economia e consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), indica resultados negativos na atividade industrial também nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para dezembro, a serem divulgados. “Isso é significante, porque a indústria vinha mal, com quedas entre agosto e outubro e uma leve melhora em novembro.”

Pesa também o acumulo de estoques, que, apesar da queda na atividade, se mantiveram em excesso. O indicador da CNI registrou 53 pontos em relação ao acumulo de mercadorias acima do planejado para dezembro.

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Anita Kon, doutora em economia e coordenadora do núcleo de pesquisas Economia Industrial, Trabalho e Tecnologia da PUC-SP, explica que esse acumulo está, em parte, relacionado à expectativa dos empresários na manutenção dos altos níveis de consumo de 2010 para as projeções dos estoques em 2011. “Mas o governo precisou adotar medidas para segurar o consumo e conter a inflação no início do ano.”

Almeida aponta outro aspecto para justificar o acumulo de estoques: a invasão de produtos e insumos importados, que frustraram as expectativas da indústria. “A concorrência acabou retirando parte da competitividade dos produtos nacionais”, diz. E completa: “Está caro produzir no Brasil.”

Os resultados da atividade e estoques também se refletiram na quantidade de postos de trabalho no setor. Segundo a CNI, o índice do número de empregados marcou 46,7 pontos em dezembro, mantendo-se abaixo dos 50 pontos pelo terceiro mês consecutivo, além de ser o menor indicador desde janeiro de 2010.

Com os estoques em alta, a situação do emprego no setor pode piorar. “Isso significa que as empresas devem restringir ainda mais a produção, algo que pode indicar uma manutenção nas demissões na indústria”, aponta Almeida.

“Esse processo já vem ocorrendo, mas não é forte”, completa.

Em dezembro, o indicador de evolução da produção permaneceu abaixo dos 50 pontos, algo que ocorre desde setembro, somando 42,1 pontos. Um cenário que deve se manter até o segundo semestre de 2012, destaca Kon.

“Essa queda é anormal para o final do ano, mas é também um reflexo da crise internacional. Além disso, o nível de investimento na indústria está aquém do necessário para gerar riqueza e empregos.”

Competição e salário mínimo

De acordo com a CNI, a queda da demanda era o sexto principal problema indicado pelos empresários brasileiros no fim de 2010. No quarto trimestre de 2011, o item passou para a quarta colocação, influenciado, entre outros aspectos, pelo aumento das importações.

Algo que muitas vezes, destaca Almeida, ocorre por meio de medidas de concorrência desleal, como as utilizadas pela China. O gigante asiático se apoia, além do câmbio mais baixo,  na manutenção de preços artificialmente menores e na triangulação de produtos em portos de outros países para que as tarifas de importação no Brasil sejam menores. “O problema está sendo contornado, mas é uma solução demorada e complexa.”

A queda na demanda está relacionada ainda ao crescimento menor do consumo em 2011, com perspectivas modestas para 2012, mesmo com o aumento do salário mínimo. “A intensidade do consumo diminuiu e as pessoas parecem estar adotando uma postura de maior economia”, afirma Kon.

Por outro lado, o novo piso, que reforça o orçamento da população mais pobre, deve ser canalizado para itens produzidos no Brasil, de acordo com o consultor do IEDI, para quem a produção industrial deve crescer 3% em 2012, contra apenas cerca de 1% em 2011. “Isso é muito importante para amenizar ou reverter o quadro apontado pela CNI.”

O levantamento de dezembro foi realizado entre 2 e 18 de janeiro com 1.797 empresas: 961 de pequeno porte, 583 médias e 253 grandes.

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Sua opinião

  1. jose disse:
    Igor, trabalhei 30 anos no setor automotivo e os lucros existem mas estão muito aquém do que imagina. Já foram mais altos no tempo em que se comercializava anos a fio o mesmo modelo, mas a partir do momento em que se troca a linha, é preciso um número X vendidos só pra se pagar essa mudança. Posso lhe afirmar de cátedra que as automotivas trouxeram para o Brasil um novo pensamento e filosofia, além lógico da modernização do nosso parque. Tomemos como exemplo o modelo X fabricado no Brasil e vendido no México; aquí R$50.000, no México R$24.000- e olha que nesse preço esta o frete do navio. Bem eu vou deixar que você pegue uma calculadora e um bloco de notas e chegue a seguinte situação: na venda pro México eu ganhei mais exportando do que vendendo pelo dobro aqui - Igor, isso é a realidade, não estou inventando; pense. Uma coisa assustadora é que propõe reduzir o emprego aquí?? Note que os economistas e governo estão com os cabelos em pé com a desindustrialização que esta em pleno vapor, você propõe mais?? Seria bom voltar a Brasil colônia? Só vender matéria prima e produtos agrícolas? Você sabe capinar? Já usou picareta para mineração alguma vez na vida? Não némesmo? Pense seriamente no seu emprêgo. Bem Igor pra você pensar um pouco: um dos impostos mais pesados sobre produtos é o IPI - Imposto Sobre Produtos Industrializados. Ele é um imposto por fora e cobrado pelo governo federal; em alguns produtos como cigarros e bebidas ele ultrapassa a casa dos 50%. De qualquer forma como o nome diz "industrializado", ele recai sobre qualquer coisa que sofra qualquer tipo de transformação feita pelo homem. Um exemplo: um pedaço de madeira bruta - não tem IPI, se voce cortar e embalar (sofreu uma ação), aí tem IPI. Podemos dizer então que esse imposto é um castigo por se fabricar algo, concorda? Pois é Igor, e é castigo mesmo e vem da nossa herança colonial. Portugal proibia que a gente fabricasse qualquer coisa, mas quando escapava do controle e se fabricava aqui em Pindorama, imposto nele. E por aí vai. Guarde duas coisas: a-Tiradentes morreu por rebelar contra 20% (o famoso quinto dos infernos) - hoje estamos em 48% b- se uma empresa não tiver lucro ou se ele não conseguir remunerar o capital - ela morre.
  2. Igor Fonseca disse:
    Quanto ao setor automotivo, era previsível queda nas vendas , já que o setor insiste em manter surpreendente margem de lucro comparado a outros mercados mundiais, culpa a alta carga tributária (ver Alemanha) e vive ameaçando o governo com corte de empregos. Nem a isenção do IPI vai conter a campanha "Abaixo ao Lucro Brasil", o consumidor tem o poder nas mãos que é decidir quando comprar, mesmo que para isso coloque em risco empregos. Não adianta nada ter um emprego de salário mínimo que amanhã se perde poder de compra. O governo podia fazer um teste que é exigir aumento de produtividade dos setores que estão sendo beneficiados com redução de tributos diretos e indiretos, se não houver essa contrapartida é sinal de incompetência produtiva e não podemos pagar pelos outros, é melhor importar.
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