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Economia

Crescimento em 2011

Indústria manufatureira diminuiu PIB brasileiro

por Gabriel Bonis publicado 18/04/2012 20h18, última modificação 18/04/2012 20h23
Em evento sobre pequenas empresas, Delfim Netto diz que microempresários precisam de crédito
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Delfim Netto atribuiu o crescimento pequeno do PIB em 2011 ao fraco desempenho da indústria de manufatura. Foto: Luludi/LUZ

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse na tarde desta quarta-feira 18, em um seminário do Sebrae sobre pequenos negócios, em São Paulo, que o crescimento de 2,7% do PIB brasileiro em 2011, ante aos 7,5% alcançados no ano anterior, deveu-se ao "fracasso da indústria manufatureira", que avançou apenas 0,1% contra a média recente acima de 3%.

“Desde 2008, o setor vem sendo destruído e a queda aumentou o processo de competição externa com países onde o câmbio é desvalorido, prejudicando o processo produtivo.”

A um pequeno grupo de jornalistas o ex-ministro disse acreditar no crescimento do PIB brasileiro em 4% para 2012, mas ressaltou a importância de fornecer crédito acessível às pequenas empresas, fundamentais para a economia do País por gerarem empregos e inovações  tecnológicas.

O comentário está relacionado aos anúncios de Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal sobre cortes nas taxas de juros para o crédito pessoal, cedendo a pressões do governo federal que espera forçar instituições privadas a seguirem o mesmo caminho – Bradesco, Itaú e HSBC seguiram o mesmo caminho.

Outra iniciativa do BB, segundo Delfim Netto, também pode impulsionar os interessados em micronegócios: a operação do banco nas agência dos Correios abrirá espaço para pequenos empréstimos. “Vai estimular a compra de pequenos equipamentos e atividade individual. É um mecanismo para criar novos empresários, ainda que minúsculos, mas é assim que funciona o mundo.”

Ao mencionar a recente crise econômica mundial no seminário, o ex-ministro defendeu um Estado regulador dos mercados para evitar turbulências como a de 2008. “É uma cópia de 1929. O banqueiro solto volta à cena do crime”, brincou.

No cenário mundial, Delfim criticou as políticas brasileiras para a exportação, exemplificando que no início dos anos 80, Brasil, China e Coreia do Sul eram responsáveis por cerca de 1,2% das exportações globais cada um. Em 2010, o Brasil alcançou 1,4%, enquanto os sul-coreanos detiveram 3% e a China 10,4% deste mercado. “Há muitas ações contra a exportação e temos instrumentos para adotar medidas corretas.”

O ex-ministro ainda apostou em um corte de 0,75 pontos na Selic, hoje em 9,75% ao ano. Mas defendeu a necessidade de redução dos rendimentos da caderneta de poupança para conseguir levar os juros a cerca de 6% ao ano. “A poupança é o impecilho para este cenário. É possível manter a atual taxa de retorno deste investimento e cortar a selic, mas teríamos que fechar tudo e deixar os outros investimentos migrarem para a poupança.”

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