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Em referendo, Irlanda aprova pacto fiscal da Zona do Euro

por AFP — publicado 01/06/2012 16h37, última modificação 06/06/2015 18h14
Um "não" irlandês não impediria sua implementação, mas poderia incentivar outros países a rejeitá-lo
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Responsáveis pela apuração contam votos em Dublin, nesta sexta-feira 1º. Foto: Peter Muhly / AFP

Em referendo realizado nesta quinta-feira 31, os eleitores irlandeses aprovaram o pacto fiscal firmado por países europeus destinado a melhorar a estabilidade da Zona do Euro, segundo os resultados oficiais definitivos anunciados nesta sexta-feira 1º. No total, 60,3% dos eleitores votaram "sim" no referendo, contra 39,7% que se pronunciaram contra a ratificação do tratado aprovado em março por 25 dos 27 países da União Europeia, segundo a organizadora da apuração, Riona Ni Fhlanghaile.

A ministra de Proteção Social, Joan Burton, uma das responsáveis pela campanha governamental a favor do "sim", declarou-se "muito feliz" com o resultado. "Acredito que é um forte voto de confiança na Irlanda. Será percebido assim internacionalmente", acrescentou a ministra do Partido Trabalhista, sócio minoritário da coalizão governamental dirigida por Enda Kenny.

A Irlanda é o único país da União Europeia (UE) que convocou uma consulta popular sobre o novo pacto de disciplina fiscal assinado em março por todos os Estados membros da UE, com exceção do Reino Unido e da República Tcheca, e que já havia sido ratificado por quatro dos 12 países necessários para que possa entrar em vigor no dia 1º de janeiro. Embora um "não" irlandês não impedisse sua implementação, poderia incentivar outros países a rejeitá-lo, num momento em que cresce a oposição à austeridade na Europa.

A Irlanda está submetida a um drástico ajuste em troca da ajuda de 85 bilhões de euros (106 bilhões de dólares) acordada em 2010 com a UE e com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para resgatar seu setor bancário. Apesar do descontentamento pelos aumentos de impostos, os irlandeses foram sensíveis à mensagem do governo de que o pacto fiscal dará acesso ao país ao novo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE), que entrará em vigor no dia 1º de julho para ajudar os países em dificuldades.