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Economia

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

Eles voltaram, é o que parece

por Redação Carta Capital — publicado 01/09/2012 11h45, última modificação 06/06/2015 18h42
As divergências que marcaram a sucessão no orgão e que culminaram na nomeação de Marcelo Néri
Marcelo Neri

Indicado. Néri já flertou com os liberais da PUC carioca. Foto: Claudio Belli/Valor/ Ag. O Globo

Na segunda-feira 27, encerrou-se oficialmente a disputa pelo comando do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Diário Oficial da União publicou o nome do novo presidente da instituição, o economista carioca Marcelo Néri.

Desde a saída de Marcio Pochmann, que deixou o instituto para concorrer à prefeitura de Campinas, foram expostas as diversas camadas de interesses, ressentimentos e posições antagônicas que compunham a “cebola” da sucessão.

Em linhas gerais pode-se definir a escolha como uma vitória da parcela do governo ligada à Fundação Getulio Vargas sobre a turma da Unicamp. O grande articulador da indicação de Néri foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega, escudado por Márcio Holland, secretário de Política Econômica. Ambos, a exemplo de Néri, são professores da FGV. Pochmann preferia Vanessa Petrelli, da Unicamp como ele e presidente interina do Ipea. Consta que Holland e Vanessa Petrelli não se bicam. As divergências teriam nascido na época em que os dois eram professores da Universidade Federal de Uberlândia.

Os petistas gostam de Néri por causa de seus estudos na área social. O economista foi um dos primeiros a captar a redução da desigualdade e os ganhos de renda que ajudaram a construir a tese do nascimento de uma “nova classe média”, um trunfo eleitoral do partido.

Mas sua origem tem pouco ou quase nada a ver com as ideias desenvolvimentistas. Alguns de seus melhores amigos lecionam ou trabalharam na PUC-Rio, o centro do que se pode chamar de pensamento ortodoxo brasileiro. O novo presidente do Ipea não aceita o rótulo de “direita” e lembra ter sido orientado no doutorado em Princeton por David Card, cujos estudos demonstraram que o aumento do salário mínimo não inibe o emprego.

Néri flertou, porém, ao menos no passado, com uma tese cara aos liberais da PUC carioca: se é para fazer política social, melhor concentrá-la nas crianças. Quanto aos velhos, indica-se o caminho do precipício. O economista promete mediar os conflitos entre as correntes do Ipea. Será? Sob o ­reinado de FHC mandavam os “neoliberais”. Naquele tempo, sobravam, por exemplo, estudos a respeito da Previdência e inexistia uma área dedicada à economia internacional.

Consta que um dos expoentes daquele período, Fábio Giambiagi, funcionário do ­BNDES, comemorou assim a nomeação de Néri: “Nós voltamos”.

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