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Desemprego é recorde na Zona do Euro, mas pior pode estar por vir

por AFP — publicado 09/01/2013 13h39, última modificação 06/06/2015 18h42
A perspectiva é de que, em 2013, os impactos da crise econômica, e das medidas para combatê-la, sejam ainda maiores
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Funcionários de uma loja da Virgin em Nice, na França, fazem protesto nesta quarta-feira 9 contra as demissões planejadas pela empresa. Foto: Valery Hache / AFP

A taxa de desemprego continua batendo recordes na Zona do Euro, onde atingiu 11,8% em novembro. Ela afeta principalmente os países submetidos a severos programas de austeridade, como Espanha e Grécia, e nada indica que, em 2013, esta tendência sombria possa ser revertida.

Em novembro, 18,82 milhões de pessoas estavam desempregadas na Zona do Euro. São 113 mil a mais em relação a outubro e dois milhões a mais do que em novembro de 2011. Nos 27 países membros da União Europeia, o número de desempregados supera 26 milhões. A taxa é menor do que em outubro, quando 220 mil pessoas foram adicionadas à lista de desempregados na Zona do Euro, mas isso não significa uma mudança de tendência. "É altamente provável que a taxa de desemprego supere claramente os 12% em 2013" na Zona do Euro, opina Howard Archer, economista da IHS Global Insight.

O desemprego alcança níveis excepcionais na Espanha, onde afetava 26,6% da população ativa em novembro, e na Grécia, onde chegou a 26% em setembro, último mês com dados disponíveis. O primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, em visita à Alemanha, considerou "completamente inaceitável que 26 milhões de pessoas estejam desempregadas na Europa". Em particular, o desemprego dos jovens "não é suportável", acrescentou. O índice de desemprego entre os jovens era de 24,4% em novembro na zona do euro, com máxima de 57,6% na Grécia e 56,5% na Espanha.

De forma geral, os países submetidos a drásticos programas de austeridade, frequentemente impostos em troca de um plano de ajuda financeira, são os que mais viram o desemprego disparar: na Grécia passou, em um ano, de 18,9% a 26%, e em Portugal de 14,1% a 16,3% . Essas taxas muito elevadas contrastam com as de Áustria (4,5%), Luxemburgo (5,1%), Alemanha (5,4%) e Holanda (5,6%).

O Comissário europeu de Assuntos Sociais, Laszlo Andor, reconheceu isso na terça-feira 8 em coletiva de imprensa: "a diferença se amplia entre os países que enfrentam uma rápida alta do desemprego e aqueles onde funciona melhor o mercado de trabalho". Andor, que apresentou nesta terça-feira um relatório anual da Comissão Europeia sobre emprego e situação social na Europa, traçou um panorama sombrio e chamou de muito ruim o ano de 2012. Além disso, "a maioria dos sistemas de previdência social perdeu uma grande parte de sua capacidade para proteger as receitas das famílias contra os efeitos da crise", afirmou.

Andor considera "improvável que haja melhorias na Europa no plano socioeconômico em 2013". Para que isso aconteça, seria preciso "mais progressos em matéria de credibilidade na resolução da crise do euro, encontrar recursos para efetuar os investimentos indispensáveis, inclusive na formação, para ajudar as pessoas a encontrar um emprego e a lutar contra a exclusão, e fazer com que as finanças atuem a serviço da economia real", afirmou.

O relatório da Comissão Europeia mostra, em especial, que as receitas disponíveis das famílias caíram entre 2007 e 2011 17% na Grécia, 8% na Espanha, 7% no Chipre, 5% na Estônia e na Irlanda. Andor foi perguntado sobre o papel que pode desempenhar nesta situação a política de austeridade orçamentária que defende seu colega de Assuntos Econômicos, Olli Rehn. "A consolidação orçamentária era um objetivo muito importante", respondeu Andor, mas "sempre dissemos que tudo isso deve estar acompanhado de políticas que apoiem o crescimento".

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