Você está aqui: Página Inicial / Economia / Redução foi 'tímida', dizem empresários de São Paulo

Economia

Corte na Selic

Redução foi 'tímida', dizem empresários de São Paulo

por Agência Brasil publicado 19/01/2012 09h28, última modificação 06/06/2015 18h57
Empresários paulistas afirmam que a queda de 0,5 ponto percentual na taxa de juros foi pequena. Já a Fecomércio, no Rio, achou decisão acertada

Por Wellton Máximo

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp) afirmaram que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros foi “tímida”. De acordo com a Fiesp, o Copom poderia ter sido mais ousado no processo de redução da Selic, que passou de 11% para 10,5% ao ano.

No comunicado, essas entidades argumentaram que a crise econômica europeia abriu espaço para uma queda mais acentuada dos juros e a taxa praticada no Brasil poderia ficar mais próxima da existente no resto do mundo.

“A crise está provocando uma queda no valor internacional das commodities e reduzindo a demanda geral por produtos. Isso gera uma menor pressão sobre os preços. Então está claro que, no Brasil, não teremos pressão da inflação e que, portanto, temos espaço para baixar os juros”, diz a nota.

Segundo a entidade, juros menores vão ajudar na produção, na geração de empregos e no desenvolvimento do país. “Não podemos desperdiçar mais uma oportunidade de colocar o país no rumo do crescimento. O momento é grave e o governo não pode se omitir”, disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp, no comunicado.

Já a Fecomércio, no Rio de Janeiro, aprovou a decisão.

“O Banco Central agiu corretamente ao manter em curso o processo de flexibilização da política monetária. Além da deterioração do cenário externo desde a última reunião do Copom, a atividade doméstica cresce abaixo do seu potencial e a inflação segue em sua trajetória de desaceleração. Temos, portanto, um quadro favorável à redução de juros, que, somada aos efeitos cumulativos das decisões anteriores, permitirá uma retomada mais acentuada do consumo interno a partir do segundo semestre, movimento fundamental para o desempenho da economia nacional neste ano”, afirmou o presidente da Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), Orlando Diniz.

 

Pela quarta vez seguida, o Copom reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual. Por unanimidade, os juros básicos da economia passaram de 11% para 10,5% ao ano, sem viés – sem possibilidade de revisão da taxa até a próxima reunião, no início de março.

"O Copom entende que, ao tempestivamente, mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado do nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012", destacou o colegiado em comunicado.

 

No começo de 2011, o colegiado de diretores do BC tinha retomado o processo de aperto monetário como forma de combater o aumento da inflação. O Copom elevou a Selic por cinco reuniões seguidas até atingir o pico de 12,5% ao ano, em 20 de julho. No período, o aumento acumulado foi 1,75 ponto percentual.

A partir do segundo semestre do ano passado, no entanto, o comitê entendeu que era hora de afrouxar a política monetária, uma vez que a deterioração da economia externa – notadamente na Europa e nos Estados Unidos – contribuía para a redução de pressões inflacionárias no mercado interno. Mesmo contra críticos do mercado financeiro, e até de dentro do próprio BC, o Copom aprovou, por 5 a 2, a primeira redução no fim de agosto.

A diminuição da Selic está em linha com as expectativas do mercado. De acordo com o boletim Focus, levantamento com instituições financeiras divulgado toda semana pelo BC, a maioria dos analistas projetava corte de 0,5 ponto percentual. Pela pesquisa, o mercado prevê mais reduções nos próximos meses e projeta que os juros básicos encerrem 2012 em torno de 9,5% ao ano.

A redução da taxa Selic ajuda a estimular a atividade econômica, à medida que barateia o crédito e estimula o consumo. Os juros mais baixos também melhoram as contas do governo ao reduzirem os custos da dívida pública. A taxa menor afeta ainda o câmbio e estimula as exportações ao conter a entrada de dólares e diminuir a queda do valor da moeda norte-americana.

*Matéria originalmente publicada em Agência Brasil 

registrado em: