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Bayer compra Monsanto e cria maior grupo de agrotóxicos e transgênicos

por Redação — publicado 14/09/2016 12h19, última modificação 14/09/2016 14h52
União é classificada de “matrimônio dos infernos” por ambientalistas
Reprodução
Protesto contra a Monsanto

Marcha Mundial contra a Monsanto 2015 em Lisboa

Após meses de negociações, o grupo farmacêutico e químico alemão Bayer anunciou nesta quarta-feira (14) que acertou a compra da empresa agroquímica americana Monsanto por 66 bilhões de dólares. Se autorizado pelas autoridades antitruste, o negócio criará a maior fabricante de herbicidas e sementes do mundo.

Segundo o jornal The Wall Street Journal, juntas, a Bayer e a Monsanto controlariam 28% das vendas de herbicidas. Elas também seriam fortes no mercado de sementes de cereais e de soja nos Estados Unidos. Juntos, Bayer e Monsanto se converterão em um gigante mundial de 23 bilhões de euros (25,8 bilhões de dólares) de volume de negócios anual, com 140.000 funcionários.

As negociações entre a Bayer e a Monsanto começaram em março deste ano. A primeira oferta do grupo alemão, de 122 dólares por ação, foi apresentada em maio. As distintas ofertas feitas pela Bayer desde maio, cada vez mais elevadas, haviam sido até então rejeitadas pelo grupo americano, que se mostrava aberto a negociar, mas sempre deixando claro que havia outras propostas sobre a mesa. Só que esses misteriosos interessados jamais se revelaram. O acordo foi fechado depois de a Bayer aumentar sua oferta pela terceira vez. O grupo alemão pagará 128 dólares por ação, um pouco mais do que a proposta anterior, de 127,50 dólares por ação.

 “Matrimônio dos infernos”

 Segundo a AFP, a união das duas empresas está sendo classificada como "matrimônio dos infernos" por ambientalistas e causou fortes críticas na Alemanha, um país cuja sociedade se opõe majoritariamente aos transgênicos.

A Monsanto é a líder mundial em herbicidas e sementes transgênicas e a fabricante do controverso herbicida glifosato, criticado por ambientalistas, médicos e cientistas e contra o qual há cada vez mais evidências de causar câncer.

Existe até um Dia Mundial contra a Monsanto, algo sem precedentes na relação entre empresas e a sociedade. Em 2015, ele aconteceu em 23 de abril e mobilizou pessoas nos 5 continentes, em 48 países e 421 cidades. Este ano os protestos globais acontecerão em 16 de outubro –há um site global que orienta a mobilização e dissemina conteúdos de denúncia conta a Monsanto: http://www.march-against-monsanto.com.

Veja imagens de protestos contra a empresa em Portugal e na Argentina:

 

Além disso, a empresa é alvo de campanhas seguidas movidas por agricultores e ambientalistas. No Brasil, o MST lidera os protestos contra a Monsanto.

Autoridades antitruste

Antes da fusão se consolidar, especialistas antitruste afirmaram que reguladores do mercado nos EUA provavelmente exigirão a venda de algumas licenças de soja, algodão e canola como uma condição para aprovar o acordo.

O fato de a empresa ser forte nos EUA, e a Bayer, na Europa e na Ásia, pode servir como um bom argumento para a aprovação da fusão. No ano passado, a Monsanto tentou adquirir a concorrente suíça Syngenta, que ao final ficou nas mãos de empresários chineses.

Segundo o comunicado da Bayer, a sede da nova gigante no setor de sementes deverá ficar em St. Louis, no estado americano de Missouri.

Com informações da AFP e Deutsche Welle