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Crise econômica

As perspectivas para 2017

por Rui Daher publicado 27/12/2016 02h54
A esperança é inverter a tendência de “muita matraca pra pouco berro” deste ano que chega ao fim
Rovena Rosa / Agência Brasil
Manifestação

Serão as previsões, na opinião dos especialistas das folhas e telas cotidianas, melhores do que as retrospectivas para o ano que se vai?

Serão as perspectivas para 2017, na opinião dos especialistas acolhidos pelas folhas e telas cotidianas, melhores do que as retrospectivas por elas mesmas realizadas para o ano que se vai?

Baita muro, construído com tijolos de argila ideologicamente cozida. Equilibram-se sobre ele sem atentar para formas mais baratas e seguras de fabricá-los e dispô-los sobre o nosso peso.

Não que ranheta esperasse deles, se perguntados, responderem “não sei”. Há um dever de jactância opinativa, por mais sensatas ou estapafúrdias que sejam.

A única opinião que me pareceu fazer algum sentido foi a trazida pela Folha de São Paulo, na edição do dia de Natal, de que para nove em cada dez brasileiros, “o sucesso financeiro vem de Deus”.

A melhor peitada que sábios Zés e Marias poderiam dar nos rapazes do mercado financeiro. Algo como “pô, vocês não entendem merda nenhuma, só ganham quando Deus acerta”. O mesmo vale para a indústria, o comércio e os serviços nacionais. Ao ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, por exemplo, não deve ter faltado reza.

“Todo o sucesso financeiro da minha vida eu devo, em primeiro lugar, a Deus”, fala um entrevistado. Quem viria em segundo lugar? A AK-47 é que não seria. Vive calada.

“As pessoas pobres, em geral, não têm fé em Deus, e por isso não conseguem sair dessa situação”, diz outro entrevistado. Bem que eu tenho recomendado aos repórteres Nestor e Pestana, do nosso Blog-Boteco, no GGN, mais fé, orações e missas. Quem sabe a mira Divina nos alcança e troquemos as cortinas da Redação ... ateus irresponsáveis.

Eu mesmo, neste Natal, um tanto inconsequente, polêmico e impuro, depois da ceia com mulher, filhos, cães e pernilongos, que poucos foram os refugiados para atender tantas consciências pesadas, me pus a ver e ouvir Bergoglio, na Missa do Galo. “É de manhã (...) Vou pela estrada/E cada estrela/ É uma flor/Mas a flor amada/É mais que a madrugada/E foi por ela/Que o galo cocorocó”.

Na minha cabeça, surpreendentemente sóbria, Francisco, em meio àquela parafernália ritualística, declamava os versos de Caetano e pedia uma flor amada que envolvesse cada pobre do planeta.

Entendi Francisco e o estendi não a Deus ou Seu Filho, mas ao revolucionário, indignado com a desigualdade que naquela Basílica, tomada por senhores e senhoras enlutados, caminhava com seus apóstolos fiéis Tito e Beto, Paulo Arns, Leonardo Boff, Che, Castro, “Ganga, Lumumba, Lorca, Jesus”, ajuda de Bosco e Blanc, também no salmo:

“Grampearam o menino do corpo fechado/E barbarizaram com mais de cem tiros/Treze anos de vida sem misericórdia/e a misericórdia no último tiro”.

Essa a minha religiosidade. Inverter, em 2017, um ano de “muita matraca pra pouco berro”.

Agronegócios em 2017

Precisa? Tá.

O Brasil colherá mais uma safra recorde de grãos. Plantou-se mais, com alto uso de tecnologias convencionais, embora mais caras e menos efetivas se não completadas com tratamentos orgânicos, e o clima está ajudando.

A comercialização será feita a preços menores do que os da safra anterior, não ao ponto ainda de quebrar alguém, mas já no bojo do início de uma etapa altamente protecionista.

No Brasil, as legislações favorecerão a compra de terras por estrangeiros e a liberação de agrotóxicos fabricados pelas multinacionais. Assentamentos agrícolas serão sacrificados e mais se politizarão. Poucas exigências do código de preservação ambiental serão cumpridas.

Direitos constitucionais do trabalhador rural serão retirados. As nações indígenas e quilombolas nem apitos terão. A agricultura familiar continuará a se preservar em luta própria, se enforcando ao dar aos bancos garantias reais, nas formas de seus meios de produção (terras e máquinas).

Coluna

Desde 03 de maio de 2013, de forma Ininterrupta, este site de CartaCapital, publicou, semanalmente, uma coluna assinada por mim. Creio não ser justo. Se para mim, escrever é como estar em férias, para os meus editores e leitores, ler-me pode exigir um esforço laboral maçante. Vou trabalhar e dar-lhes férias de um mês. Volto na 1ª semana de fevereiro de 2017. Bom descanso.