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O ovo da serpente

por Cynara Menezes — publicado 10/02/2012 13h36, última modificação 06/06/2015 18h14
O radicalismo da greve da PM baiana expõe o crescente descontentamento de uma categoria sempre relegada
PM

Continuísmo: Governador Jaques Wagner, como os antecessores, prometeu e não cumpriu. Foto: Ernesto Rodrigues / AE

O governador da Bahia, Jaques Wagner, precisava mostrar autoridade contra os policiais militares em greve que ocupavam a Assembleia Legislativa do estado há nove dias. E mostrou. Encurralados após a divulgação de uma conversa gravada em que o principal líder do movimento incitava a atos de vandalismo, os grevistas receberam o recado claramente: ou deixavam o prédio ou seriam retirados à força pelos soldados do Exército e da Força Nacional que cercavam a Assembleia. Preferiram sair.

A população atemorizada, o número de homicídios em crescimento a cada dia, a suspeita de participação de policiais nos ataques a ônibus e até em mortes, a possibilidade cada vez mais próxima da não realização do carnaval e, sobretudo, a perspectiva de que a greve se espalhasse País afora deixaram o Brasil inteiro sob suspense. Aparentemente finda a crise, permanece a sensação de que se trata de uma solução momentânea, um paliativo. Algo vai mal na segurança pública e não só na Bahia.

Apesar de teoricamente vedadas pela Constituição – alguns advogados interpretam de forma diferente –, já aconteceram neste ano greves de PMs no Ceará e Pará. Segundo especialistas, desde 1997 foram mais de 300 paralisações de agentes de segurança pública no Brasil. Além da gravação que resultou na prisão do principal líder da greve baiana, o ex-PM Marco Prisco, e do policial Antonio Angelini, foi divulgada uma conversa entre a deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) e o cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, que comprovou a intenção dos policiais de fazerem uma paralisação de caráter nacional.

 

*Leia matéria completa na Edição 684 de CartaCapital, já nas bancas

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