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O joio e o trigo

por Cynara Menezes — publicado 06/07/2012 12h20, última modificação 06/07/2012 12h20
Além das dificuldades esperadas, a Comissão da Verdade enfrentará a sanha dos mitômanos
Dilma

Em paralelo. Ustra e Curió na mira do MP. E as agressões à jovem Dilma vieram à tona. Foto: Ed Ferreira/AE

No domingo 1º de julho, o jornal Diário do Amazonas trouxe uma crônica de ampla repercussão na internet: o compositor gaúcho Lupicinio Rodrigues teria sido preso e torturado pela ditadura durante meses a fio por manter amizade com João Goulart e Leonel Brizola. Suas unhas teriam sido arrancadas para impossibilitá-lo de tocar violão. Quem confidenciou ao autor do artigo a história, mantida em segredo até hoje, teria sido um suposto filho do compositor, Lôndero Gustavo Dávila Rodrigues, atualmente motorista de uma universidade no Rio de Janeiro. Um assunto e tanto para a Comissão da Verdade investigar, não fosse por um detalhe: Lupicinio não sabia tocar violão.

“Meu pai nunca tocou nenhum instrumento. Só tocava caixinha de fósforos, nada mais”, disse a CartaCapital Lupicinio Rodrigues Filho, único herdeiro varão reconhecido pelo compositor, morto em 1974. Ele também teve uma filha, Tereza, do primeiro casamento. Lupicinio Filho, dono do bar em Porto Alegre que leva o título da famosa canção do pai, “Se Acaso Você Chegasse”, garante que a história contada por Lôndero não passa da mais pura ficção. “Não tem nem um fundo de verdade nisso, é mentira da grossa. Eu sei a história da família de cor e salteado e nunca ouvi falar em outro filho do meu pai.” E acrescenta: “Se a tortura tivesse ocorrido, pediríamos indenização ao Estado, até por ter direito. Mas meu pai jamais foi preso, em lugar algum”.

O caso do compositor ilustra as armadilhas das quais a Comissão da Verdade precisará se esquivar nos próximos dois anos. Quantos mitômanos e oportunistas poderão aparecer a partir de agora para “denunciar” abusos da ditadura? Os integrantes da comissão asseguram que todos os casos serão checados e investigados à exaustão para atestar a verossimilhança das acusações.

*Leia matéria completa na Edição 705 de CartaCapital, já nas bancas

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