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Bravo! CD

O soberano não morre

por Redação Carta Capital — publicado 31/03/2013 07h46, última modificação 31/03/2013 07h46
Morto há 43 anos, Jimi Hendrix volta ao topo da parada americana com seu 12º título póstumo. Por Tárik de Souza
CDHendrix

Em People, Hell and Angels, Jimmy Hendrix volta ao segundo lugar da parada americana em seu 12º título póstumo, coproduzido por sua irmã, Janie L. Hendrix, responsável pelo acervo

por Tárik de Souza

People, Hell and Angels
Jimi Hendrix
Sony Music

Mesmo disputado por hordas de novatos virtuosos, iconoclastas ou meramente pretensiosos, o reino da guitarra permanece ocupado pelo mesmo monarca, morto há 43 anos. E o americano de uma Seattle pré-grunge, James Marshall Hendrix, o Jimi Hendrix (1942-1970), não se mantém no trono por acaso.

Além do incontestável talento como guitarrista, cantor, compositor e performer, lançado ao sucesso massivo em plena era Woodstock, era obcecado por seu trabalho. Ensaiava compulsivamente, enfurnava-se no estúdio, pesquisava sonoridades com sua guitarra, pedaleira e caixas de som. Na contramão de mimadas estrelas pop a soldo de gravadoras, ele pagava pelos registros e era dono das matrizes.

Por isso, apesar de ter lançado apenas quatro discos em vida, Are You Experienced?, Axis: Bold as Love (ambos de 1967), Electric Ladyland (1968) e Band of Gypsys (1970), o atual People, Hell and Angels, catapultado ao segundo lugar da parada americana, é seu 12º título póstumo, coproduzido por sua irmã, Janie L. Hendrix, responsável pelo acervo.

 

 

O álbum traz 12 inéditas registradas entre 1968 e 1970, após sua associação com o trio Experience, embora o baterista do grupo, Mitch Mitchell, participe de algumas sessões como Inside Out, em que Hendrix ainda atua como baixista.

O guitarrista Stephen Stills, do  Crosby, Stills, Nash & Young, foi convocado para o baixo na balada blues crivada de breques Somewhere. Billy Cox e Buddy Miles, da Band of Gypsys, alicerçam desempenhos devastadores de Hendrix, como em Hear My Train a Comin’.

A guitarra rítmica de Larry Lee pontua tanto o lamento Izabella quanto o encorpado Easy Blues. Embora as gravações soem desiguais,  têm um alinhavo comum. O traço requintado desse arquiteto que não se recusava a pôr as mãos na massa.

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