Cultura
O presente através do retrovisor
Em That’s Why God Made the Radio, os Beach Boys são exaltados por uma mídia quase revogada pela era do videogame compulsivo. Por Tárik de Souza
por Tárik de Souza
That’s why God made the radio
The Beach Boys
EMI
O cabo de guerra pop entre os rapazes da cinzenta Liverpool e os praieiros da ensolarada Califórnia acabou em vitória dos primeiros, no fim dos anos 1960. Acabou? Os Beatles do superlativo Sgt. Pepper’s saíram de cena com evidente supremacia sobre os rivais Beach Boys, do abortado e grandiloquente projeto Smiles. Mas a audácia vanguardista dos BBs finalmente veio à tona quando as fitas originais foram lançadas em CD, em 2011, contendo “uma jovem sinfonia para Deus,” na definição do líder da banda, o atormentado Brian Wilson. Sobrevivente de anos de clausura numa caixa de areia, incontáveis internações e um disco em contestada parceria com seu psiquiatra, em 1988, Brian comanda mais uma vez o grupo, talvez em sua volta olímpica. That’s Why God Made the Radio encara o presente pelo retrovisor, a começar pela exaltação de uma mídia quase revogada pela era do videogame compulsivo.
O mundo mudou, mas o jogo continua o mesmo, prega o gingado rock baixos teores Isn’t it time. O velho termo “boas vibrações” ainda pontua Spring Weather, e Pacific Coast Highway exalta a estrada trilhada em solidão. Os impecáveis jogos vocais de blocos semoventes flutuam a partir do interlúdio inicial Think About the Days, como as ondas quebradas nas retinas de quem está à procura de um lugar ao sol/ onde todos possam se divertir (Beaches in Mind).
O tempo é a obsessão poética do disco, onde os raios incidem num tom crepuscular, de sóbrio e elegante final de jornada em Summer’s Gone: Velhos amigos se foram/em caminhos apartados/ os sonhos permanecem/ para os que ainda têm o que dizer.
por Tárik de Souza
That’s why God made the radio
The Beach Boys
EMI
O cabo de guerra pop entre os rapazes da cinzenta Liverpool e os praieiros da ensolarada Califórnia acabou em vitória dos primeiros, no fim dos anos 1960. Acabou? Os Beatles do superlativo Sgt. Pepper’s saíram de cena com evidente supremacia sobre os rivais Beach Boys, do abortado e grandiloquente projeto Smiles. Mas a audácia vanguardista dos BBs finalmente veio à tona quando as fitas originais foram lançadas em CD, em 2011, contendo “uma jovem sinfonia para Deus,” na definição do líder da banda, o atormentado Brian Wilson. Sobrevivente de anos de clausura numa caixa de areia, incontáveis internações e um disco em contestada parceria com seu psiquiatra, em 1988, Brian comanda mais uma vez o grupo, talvez em sua volta olímpica. That’s Why God Made the Radio encara o presente pelo retrovisor, a começar pela exaltação de uma mídia quase revogada pela era do videogame compulsivo.
O mundo mudou, mas o jogo continua o mesmo, prega o gingado rock baixos teores Isn’t it time. O velho termo “boas vibrações” ainda pontua Spring Weather, e Pacific Coast Highway exalta a estrada trilhada em solidão. Os impecáveis jogos vocais de blocos semoventes flutuam a partir do interlúdio inicial Think About the Days, como as ondas quebradas nas retinas de quem está à procura de um lugar ao sol/ onde todos possam se divertir (Beaches in Mind).
O tempo é a obsessão poética do disco, onde os raios incidem num tom crepuscular, de sóbrio e elegante final de jornada em Summer’s Gone: Velhos amigos se foram/em caminhos apartados/ os sonhos permanecem/ para os que ainda têm o que dizer.
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