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Calçada da Memória

Monty Python e o nonsense da vida

por José Geraldo Couto — publicado 09/06/2012 11h23, última modificação 09/06/2012 11h24
O grupo britânico levou o humor subversivo, anárquico e surreal às últimas consequências
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Monty Python, humor subversivo, anárquico e surreal levado às últimas consequências

A exemplo do termo “dadá”, que está na origem do dadaísmo, a expressão Monty Python não quer dizer nada. É uma homenagem ao absurdo, marca essencial do grupo de comediantes que leva esse nome.

Surgido na tevê britânica em 1969, o bando era composto pelos jovens atores ingleses Eric Idle, Terry Jones, John Cleese, Graham Chapman (1941-1989) e Michael Palin, aos quais se juntou o cartunista norte-americano Terry Gilliam. A primeira traquinagem do grupo foi o programa televisivo Monty Python’s Flying Circus, que entre 1969 e 1974 levou ao ar 45 episódios.

Com seu humor anárquico, iconoclasta e surreal, o grupo causou na televisão uma revolução análoga à operada pelos Beatles na música popular. Da tevê, o Monty Python expandiu-se para o teatro, o rádio, os livros e, claro, o cinema. A criação era coletiva, mas a direção geralmente ficava a cargo de Terry Jones e Terry Gilliam, esse último responsável pelas animações que em geral abrem os programas e os filmes.

Depois de satirizar a saga do Rei Arthur com Em Busca do Cálice Sagrado (1975), o Monty Python pisou em terreno minado ao parodiar a Bíblia em A Vida de Brian (1979). Ninguém queria produzir o filme, que acabou sendo bancado pelo beatle George Harrison.

Em seguida, os filmes da trupe, como Ao Vivo no Hollywood Bowl (1982) e O Sentido da Vida (1983), retornaram ao esquema de esquetes desconexos, e o grupo se dispersou. Cleese, Idle e Palin seguiram atuando como comediantes, Jones e Gilliam fizeram carreiras-solo na direção. O humor subversivo do grupo já havia se disseminado em Saturday Night Lives e TVs Piratas pelo mundo afora.

DVDs

Em Busca do Cálice Sagrado (1975)
Arthur (Chapman), rei dos bretões, reúne seus cavaleiros, entre eles Lancelot (Cleese) e Robin (Idle), e parte em busca do Cálice Sagrado, a enfrentar perigos como um coelho feroz e “os cavaleiros que dizem Ni”. Situações absurdas, anacronismos e piadas metalinguísticas, num dos melhores filmes da trupe.

Ao Vivo no Hollywood Bowl (1982)
Sob a direção de Terry Hughes e Ian MacNaughton, o Monty Python apresenta no célebre anfiteatro uma série de esquetes ao vivo, alguns deles extraídos de seu programa de tevê, entremeada com a projeção de cenas filmadas. Sobressai a presença cênica e o talento para o improviso dos membros do grupo.

O Sentido da Vida (1983)
A produção mais ambiciosa do Monty Python, com sequências ambientadas em várias épocas e países, unidas vagamente pela irônica busca do “sentido da vida”. Cenas antológicas: o glutão que explode no restaurante, a família irlandesa de incontáveis filhos, o parto num hospital público londrino. Foi a despedida do grupo.