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Cultura

Mostra de Cinema

Arquivo vivo

por Orlando Margarido — publicado 04/11/2012 15h29, última modificação 04/11/2012 15h29
Documentário O Sorriso do Chefe usa material raro para delinear a máquina que colocou o fascismo em funcionamento na Itália
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O capo. Benito Mussolini, o idealizador do credo fascista, enésima prova de que o culto à personalidade é fenômeno eterno

O sorriso do chefe
Marco Bechis

O culto à personalidade construído com o recurso da mídia sugere de imediato um fenômeno atual. Apenas que o mesmo havia ocorrido na Itália em não tão longo espaço de tempo, nos diz Marco Bechis, com maior relevância em O Sorriso do Chefe. O documentário exibido na 36ª Mostra se serve do vasto e raro material do Instituto Luce para delinear a máquina bem azeitada que colocou em funcionamento o credo fascista e chegar a seu idealizador, o Duce. Foi o próprio Benito Mussolini que criou, nos anos 1920, a instituição como instrumento educacional e de difusão das conquistas do governo. Vemos seus repetitivos discursos para milhões de italianos em praça pública, dando conta de sua estreiteza verbal, ou na inauguração da Fiat, em Turim.  Situações que chegam ao cômico, como a de uma criança testada em suas convicções por um funcionário do regime.

O filme também se propõe a uma memória pessoal, deixando o coletivo para se firmar numa voz em off. Bechis, chileno criado entre Argentina e Brasil, busca sua ascendência italiana para compreender como a ótica individual enxergava o período. “Não sabíamos o que era aquilo e o que se tornaria”, justifica a voz que saberemos depois octogenária. É nessa atitude cúmplice entre a história recolhida em arquivo e significativa para a atualidade e na expressão familiar ao diretor que se faz a proeza do filme. Vale a pena chegar ao fim para descobrir que essa herança em muito pertence ao presente.

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