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A vida bandida

por Redação Carta Capital — publicado 25/05/2012 12h39, última modificação 25/05/2012 12h39
Diferentemente da primeira versão, influenciado pela ditadura, filme com Ney Matogrosso aborda decadência moral e perda de valores
Ney Matogrosso - Luz nas Trevas

Algo distraído. Matogrosso em Luz nas Trevas, mais para Bretch

Por Orlando Margarido

Luz, o marginal esquecido em sua cela na cadeia, condena o filme que fizeram sobre ele. Mas lá está na parede o cartaz esgarçado apontando que talvez a obra não lhe seja tão intratável. Esta é uma das muitas situações de contraposição que se verá entre o clássico de irreverência nacional O Bandido da Luz Vermelha (1968) e sua revisitação, antes que uma continuação, Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, que estreou na semana passada. No primeiro filme de Rogério Sganzerla, que morreu em 2004 deixando o roteiro em questão, havia como painel de fundo a representação política, no calor do AI-5, e social, com costumes ainda ingênuos povoados pelo som do rádio e por um ladrão cafajeste na interpretação de Paulo Villaça.

Agora segue-se um tom de perda de valores, de decadência moral, num marasmo que conduz a simples distração, sem vínculos, como é na atualidade.

Nem mesmo temos aquele bandido de volta, já que morto ao final do primeiro filme. O condenado se chama Luz Divina (Ney Matogrosso), porque místico, e pouco importa se o vemos como o outro. Faz parte da proposta anárquica da dupla de diretores Helena Ignez e Ícaro Martins confundir com esses e outros elementos referenciais.

O modelo de atuação de bandidagem recai, então, no filho do finado, Jorge (André Guerreiro Lopes), mais interessado no imediatismo do que possa dispor com seu lucro, pensamento que não por acaso o une a uma bela prostituta (Djin Sganzerla).

Na base desses contrapontos, acima de tudo, está a pulsão antes de livre inspiração de Sganzerla e agora com a influência brechtiana que caracteriza trabalhos de Helena Ignez, como Canção de Baal.

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