Você está aqui: Página Inicial / Cultura / A bela indiferente

Cultura

Calçada da Memória

A bela indiferente

por José Geraldo Couto — publicado 03/02/2013 12h36, última modificação 03/02/2013 12h36
O talento e a independência da atriz inglesa Jacqueline Bisset

“Olho para minhas fotos e penso: ‘Puxa, se tivesse me dado conta do quanto eu era bonita, teria sido mais malvada’.” A piada de Jacqueline Bisset diz muito sobre seus mistérios e nuances. Durante três décadas, ela derreteu corações ao viver nas telas mulheres que pareciam – mas só pareciam – frágeis e meio inconscientes de seu poder de sedução.

Nascida em Weybridge, Inglaterra, filha de um médico escocês e de uma advogada francesa, Jacqueline na verdade teve muito cedo consciência de sua beleza. Aos 18 anos já trabalhava como modelo para custear os estudos de teatro.

Estreou no cinema como figurante em A Bossa da Conquista (Richard Lester, 1965). No ano seguinte, ainda na Inglaterra, atuou em Armadilha do Destino, de Polanski. Mas o grande salto se deu quando ela se mudou para Hollywood, em 1968, e atuou em três filmes no mesmo ano, contracenando com Frank Sinatra em Crime sem Perdão, com Michael Sarrazin em A Praia dos Desejos e com Steve McQueen em Bullitt. Aos 24 anos, tinha conquistado a América.

Depois disso, alternou filmes de entretenimento, como Aeroporto (1970), bombas como Uma Questão de Classe (1983) e obras-primas como A Noite Americana (1973), de François Truffaut, À Sombra do Vulcão (1984), de John Huston, e Mulheres Diabólicas (1995), de Claude Chabrol.

A par do talento e da beleza, um forte senso de independência: “Detesto a ideia de ser propriedade de alguém”. Talvez por isso não tenha se casado, apesar dos vários namorados. Aos 67 anos, segue linda sem nunca ter feito plástica: “O caráter contribui para a beleza. Fortalece a mulher quando a juventude se esvai”.

DVDs

O Magnífico (1973)

Curiosa fantasia cômica de Philippe de Broca, em que um escritor de livros de espionagem (Jean-Paul Belmondo) insere em seu romance personagens de sua vida cotidiana, como sua vizinha (Jacqueline Bisset) e seu editor (Vittorio Caprioli), assim como ele próprio, todos transformados em espiões e agentes duplos.

O Fundo do Mar (1977)

Na região das Bermudas, casal de namorados em férias (Nick Nolte e Jacqueline Bisset) envolve-se com um caçador de tesouros e um traficante de drogas depois de encontrar, durante um mergulho, objetos de um navio naufragado. O filme de Peter Yates tornou icônica a imagem sexy de Jacqueline Bisset de camiseta molhada.

Orquídea Selvagem (1989)

Jovem advogada (Carré Otis) viaja a trabalho ao Brasil com sua chefe (Jacqueline Bisset) e mergulha numa teia erótica armada por um playboy ricaço (Mickey Rourke). Carnaval, erotismo exótico, macumba para turista, o filme
de Zalman King vale como curiosidade. No elenco, Milton Gonçalves e Carlinhos de Jesus.